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Editorial
Setembro 14, 2017 - 23:44

UM PRESIDENTE ACUADO 

Cenas lamentáveis de agosto serão repetidas com a nova denúncia contra Michel Temer: o desfecho é previsível


Agosto ficou marcado pela sessão que barrou a denúncia por corrupção passiva contra Michel Temer (PMDB). A votação, na Câmara dos Deputados, teve votos constrangidos e negociação de emendas no plenário. Houve ainda, por parte de um parlamentar, conversas pouco republicanas com uma jornalista via Whatsapp. O mesmo que tatuou a imagem do presidente no braço.

Setembro, ao que tudo indica, repetirá essas cenas lamentáveis. Nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nova denúncia contra Temer. Janot, que já limpou todas as suas gavetas no MPF, agora acusa o presidente dos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.

O núcleo do governo foi denunciado. Oito no total: dois ministros, dois ex-ministros, dois ex-deputados, um empresário e um executivo. Segundo Janot, os políticos peemedebistas arrecadaram R$ 587 milhões em propina. É muito mais do que os R$ 51 milhões encontrados no 'bunker' de Geddel Vieira Lima, este também incluído na denúncia.

O novo pedido do procurador está melhor embasado, embora Janot chegue a seus últimos dias no cargo totalmente enfraquecido, o que favorece a defesa do presidente.

Fato é que, novamente, a denúncia seguirá os trâmites conduzidos pela base aliada de Temer. Após pedido da Procuradoria, o STF envia o processo para a Câmara. Ao receber o documento, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) notifica Temer e manda o caso para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

O presidente da República, então, terá prazo para sua defesa. Após todo esse trâmite, o relator apresenta parecer, concordando ou não com o prosseguimento da denúncia. Provavelmente, nos próximos dias, haverá troca de integrantes da CCJ que irão se posicionar contra Temer.

Somente depois desse processo é que a denúncia vai a plenário. A Constituição estabelece que são necessários votos dos 342 dos 513 deputados (dois terços) para o caso ir adiante.

A novela concluída em agosto será reiniciada. Pelo andar da carruagem, teremos o mesmo desfecho. A diferença é que, agora, Temer terá menos recursos para emendas e precisará convencer a base aliada a defende-lo faltando exatamente um ano para a eleição..

 

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