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Editorial
Setembro 22, 2017 - 00:07

TEATRO DE SHAKESPEARE

Nova denúncia contra Temer é encaminhada para Câmara, onde o 'teatro' está montado para salvar o Planalto de novo


Ser ou não ser, eis a questão. Tendo em suas mãos o crânio de Yorick, o velho bobo da corte do reino, o príncipe dinamarquês Hamlet lança a frase mais marcante da dramaturgia imortal do inglês William Shakespeare. O famoso monólogo, que está presente nesta tragédia que narra uma história repleta de corrupção, traição e disputa pelo poder, cai como uma luva para os deputados federais brasileiros.

Sim, afinal cai novamente no colo dos parlamentares a decisão sobre o futuro político do presidente Michel Temer, alvo de nova denúncia da Procuradoria-Geral da República, desta vez por dois graves crimes: obstrução da Justiça e organização criminosa.

Com o aval do STF (Supremo Tribunal Federal), que barrou pedido da defesa para devolver o caso à Procuradoria, agora sob nova direção, caberá à Câmara votar se o inquérito será aberto ou não na Corte para investigar o envolvimento do peemedebista.

Caso a resposta seja sim, Temer, apontado como chefe do chamado quadrilhão do PMDB -- veja só -- na Câmara, é então afastado preventivamente pelo prazo de 180 dias.

Fato é que o teatro na Câmara, que em uma verdadeira comédia dos erros já barrou uma denúncia contra o presidente, em um dos atos mais nefastos da história do Congresso, com bilhões em emendas e também negociatas bem pouco republicanas no plenário, já está com o enredo armado.

Na primeira votação, a Câmara fez muito barulho por nada. Agora, não resta dúvida de que o presidente terá novamente o pescoço salvo pela sua base -- as suas alegres comadres de Windsor da vez. A dúvida, neste caso, após o rio (ou melhor, lamaçal) de verbas despejado pelo Planalto na primeira votação, é qual será o custo para o presidente se manter no trono. Rei Lear? Que banquete vai ser servido na noite dos reis? Mercador de Veneza?

O peemedebista vai ser obrigado a engolir medida por medida, absolutamente refém que é do baixo clero do Congresso.

O sonho de uma política mais ética, justa e honesta, voltada para o bem do povo, não passou de um sonho de uma noite de verão, após o impeachment de Dilma Rousseff -- apontada pelos seus opositores como a megera domada.

Muito em breve, no putrefato teatro de poder, as cortinas se abrirão e cada ator vai desempenhar seu papel. Neste jogo de cartas marcadas, a dúvida fico só em relação ao custo do ingresso. O povo brasileiro vai desempenhar -- mais uma vez -- o papel de Yorick, aquele velho bobo da corte. Em cartaz, no palco político, está a peça 'Tudo bem quando termina bem' -- para eles, é claro.

Ser ou não ser, o bobo da corte, eis a questão..

 

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