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Enem
Setembro 13, 2017 - 13:36

OVALE Enem - Fascículo 11


FASCÍCULO 11 - LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS

Neste fascículo, trataremos das com¬petências 5 e 6, que abrangem as habilidades de 15 a 20 da área de Lin¬guagens, Códigos e suas Tecnologias.

Segundo a matriz de referência do ENEM, a competência de área 5 tem por objetivo analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização e estrutura das manifestações, de acordo com suas condições de produção e recepção.

A competência de área 6 lida com a compreensão e o uso dos sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de sig¬nificados, expressão, comunicação e informação.

O próximo fascículo contemplará itens da área de Matemática e suas Tecnologias.

Bons estudos!

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COMPETÊNCIA DE ÁREA 5: Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.

HABILIDADE 15: Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.

1.

Maio 1964

Na leiteira a tarde se reparte

em iogurtes, coalhadas, copos

de leite

e no espelho meu rosto. São

quatro horas da tarde, em maio.

Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo

a vida que é cheia de crianças, de flores

e mulheres, a vida,

esse direito de estar no mundo,

ter dois pés e mãos, uma cara

e a fome de tudo, a esperança.

Esse direito de todos

que nenhum ato

institucional ou constitucional

pode cassar ou legar.

Mas quantos amigos presos!

quantos em cárceres

escuros onde a tarde fede a urina e terror.

Há muitas famílias sem rumo esta

tarde

nos subúrbios de ferro e gás

onde brinca irremida a infância da

classe operária.

Estou aqui. O espelho

não guardará a marca deste rosto,

se simplesmente saio do lugar

ou se morro

se me matam.

Estou aqui e não estarei, um dia,

em parte alguma.

Que importa, pois?

A luta comum me acende o sangue

e me bate no peito

como o coice de uma lembrança.

Gullar, F. Disponível em: https://resistenciaemarquivo.wordpress.com/. Acesso em: 8 ago. 2016.

O poema “Maio 1964”, extraído do livro Dentro da noite veloz, publicado em 1975, revela o compromisso de Ferreira Gullar com

a) as classes sociais mais abastadas do país.

b) os membros das forças armadas que instituíram a Ditadura Militar.

c) os oprimidos e os silenciados por um sistema político marcado pela re¬pressão.

d) as populações despolitizadas que não sofreram as consequências das mudanças políticas.

e) os empresários e políticos que pa¬trocinaram a opressão à classe ope¬rária.

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COMPETÊNCIA 5

HABILIDADE 16: Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.

2.

Marília de Dirceu: Parte I – Lira XIV

Minha bela Marília, tudo passa;

A sorte deste mundo é mal segura;

Se vem depois dos males a ventura,

Vem depois dos prazeres a desgraça.

Ah! enquanto os Destinos impiedosos

Não voltam contra nós a face irada,

Façamos, sim façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

Ornemos nossas testas com as flores.

E façamos de feno um brando leito,

Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,

Gozemos do prazer de sãos Amores.

Sobre as nossas cabeças,

Sem que o possam deter, o tempo corre;

E para nós o tempo, que se passa,

Também, Marília, morre.

Que havemos de esperar, Marília bela?

Que vão passando os florescentes dias?

As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;

E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! Não, minha Marília,

Aproveite-se o tempo, antes que faça

O estrago de roubar ao corpo as forças

E ao semblante a graça.

GONZAGA, T. A. In: Poesia setecentista brasileira.

O carpe diem, desejo de fruir os pra¬zeres da vida material e do amor sem culpa, é um dos ideais poéticos do Ar¬cadismo. Tal ideal está melhor repre¬sentado nos versos

a) “Se vem depois dos males a ventura

Vem depois dos prazeres a desgraça”.

b) “Ah! enquanto os Destinos impie¬dosos

Não voltam contra nós a face irada”.

c) “Façamos, sim façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos”.

d) “Ornemos nossas testas com as flores.

E façamos de feno um brando leito”.

e) “Que havemos de esperar, Marília bela?

Que vão passando os florescentes dias?”.

3.

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!

Cruz e Sousa. In: Broquéis.

A poesia simbolista é caracterizada pelo uso continuado de recursos po¬éticos expressivos. O texto apresenta¬do, do poeta Cruz e Sousa, traz entre esses recursos o uso, principalmente,

a) de maiúsculas alegorizantes, alite¬rações e musicalidade.

b) de cultismo vocabular, liberdade formal e musicalidade.

c) de palavras-símbolo, sinestesias e vocabulário prosaico.

d) de metáforas herméticas, vocabu¬lário técnico e liberdade formal.

e) de personificações inusitadas, as¬sonâncias e rimas raras.

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COMPETÊNCIA 5

HABILIDADE 17: Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.

4.

As vantagens da morte

Ouvi um toc-toc-toc, virei de lado, tentava pegar no sono, calor e per¬nilongos, ouvi de novo o toc-toc-toc, levantei, escancarei a janela e depa¬rei com meu irmão montado em sua Gärick preta com frisos dourados, segundo andar do prédio do conjun¬to habitacional onde morava, per¬guntando, daquele jeito bonachoso, Vai me deixar muito tempo aqui fora ainda, Tiquim? Ele pousou dentro do quarto sem dificuldade, abriu o des¬canso, estacionou a bicicleta num canto, E aí, como vão as coisas? Foi quando notei que eu estava bem mais velho que ele, ele havia morrido com vinte e dois anos, um negócio esqui¬sito, chegou da fábrica, trabalhava de torneiro mecânico na Manufatora, fa¬lou que não estava sentindo bem, jo¬gou na cama de roupa e tudo, a mãe ainda perguntou se queria tomar um chá de boldo, disse que não, queria apenas dormir um pouco, deitou, dor¬miu, não acordou mais, e fiquei com a sensação de que uma manhã eu ia despertar e lá estaria ele na cozinha tomando café, enfiado no macacão fedendo a graxa, pronto pra ir pra fábrica, mas os anos passaram, ele não levantou mais. E agora reapare¬ce, como não tivessem decorrido trin¬ta anos, a cara ainda com marcas de espinhas, o cabelo emplastrado de brylcreem, E aí, como vão as coisas?

Ruffato, L. Disponível em: http://blogs.oglobo.globo.com. Acesso em: 11 ago. 2016.

A narrativa dinâmica do conto de Luiz Ruffato integra o patrimônio literário nacional, manifestando um olhar que

a) recorre à tradição bíblica para dia¬logar com o universo sobrenatural.

b) ratifica a morte como algo que in¬terfere negativamente em nossa con¬dição física.

c) expõe um cotidiano comum aos indivíduos que ocupam o topo da pi¬râmide social.

d) resgata a temática da morte para fundamentar visões teológicas das re¬ligiões oficiais do Estado.

e) naturaliza um fato insólito para dis¬cutir as relações afetivas do universo familiar.

5.

Evocação do Recife

Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas

Com o xale vistoso de pano da Costa

E o vendedor de roletes de cana

O de amendoim

que se chamava midubim e não era torrado era cozido

Me lembro de todos os pregões:

Ovos frescos e baratos

Dez ovos por uma pataca

Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros

Vinha da boca do povo na língua errada do povo

Língua certa do povo

Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil

Ao passo que nós

O que fazemos

É macaquear

A sintaxe lusíada

A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem

Terras que não sabia onde ficavam

Recife...

Rua da União...

A casa de meu avô...

Nunca pensei que ela acabasse!

Disponível em: http://www.casadobruxo.com.br. Acesso em: 10 ago. 2016.

Através dos percursos da memória e dos afetos, autores brasileiros do Modernismo, como o poeta Manuel Bandeira, conseguiram expressar em sua obra

a) a pobreza intelectual daqueles que não tiveram acesso à cultura escolar tradicional.

b) percepções importantes sobre a atmosfera poética que emana das vi¬vências cotidianas.

c) reflexões sobre o péssimo hábito do brasileiro de desobedecer à língua oficial da nação.

d) linguagens de teor lírico preocupa¬das em ratificar a importância do olhar aristocrático.

e) concepções poéticas voltadas para a construção de uma atmosfera poéti¬ca eurocêntrica.

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COMPETÊNCIA DE ÁREA 6: Compreender e usar os sistemas simbólicos das diferentes linguagens como meios de organização cognitiva da realidade pela constituição de significados, expressão, comunicação e informação.

HABILIDADE 18: Identificar os elementos que concorrem para a progressão temática e para a organização e estruturação de textos de diferentes gêneros e tipos.

6.

Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Bilac, O. In: Sonetos.

O soneto é um tipo de composição amplamente utilizado na literatura desde o século XVI quando surgiu pe¬las mãos de Petrarca, Shakespeare, Camões, Dante, entre outros. Cons-tituem-se em marcas características desse gênero

a) o uso de métricas variáveis no mesmo texto e a liberdade formal.

b) a presença exclusiva de versos de¬cassílabos e a variação da estrofação entre conjuntos de seis, quatro e três versos.

c) a presença da medida nova (predo¬mínio dos versos de dez ou doze síla¬bas) e o uso principal dos quartetos e tercetos.

d) a ausência de rigor formal e a fre¬quente presença da redondilha maior.

e) o hermetismo vocabular e o despre¬zo por formas rígidas de composição.

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COMPETÊNCIA 5

HABILIDADE 19: Analisar a função da linguagem predominante nos textos em situações específicas de interlocução.

7.

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas.

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que as dos mísseis.

Tenho em mim esse atraso de nascença

Manoel de Barros

Predomina nesse poema de Manoel de Barros a função da linguagem que

a) ressalta a importância do enuncia¬tário.

b) invisibiliza as combinações sono¬ras, rítmicas e semânticas.

c) abdica do registro das impressões do enunciador.

d) destaca a impessoalidade e a im¬parcialidade.

e) propõe uma discussão sobre o fa¬zer poético.

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COMPETÊNCIA 5

HABILIDADE 20: Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional.

8.

Macaque in the trees
OVALE Enem

A partir da concepção do reconheci¬mento da importância do patrimônio linguístico para a preservação da me¬mória e da identidade nacional, perce¬be-se na charge acima uma associa-ção entre conceitos que

a) exaltam a importância da leitura e da escrita como manifestação da força de um povo.

b) omitem a real importância da escri¬ta em detrimento da supervalorização da leitura.

c) avaliam de forma superficial as ideias acerca da leitura ao atribuírem¬-lhe preceitos sociais.

d) promovem uma ideia de que a as¬censão social é irrelevante diante dos saberes humanos.

e) impõem hipóteses falhas de que a leitura e a escrita serviriam de critério de avaliação social.

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Macaque in the trees
OVALE Enem

Macaque in the trees
OVALE Enem

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