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Setembro 07, 2017 - 22:31

'As Bahias e a Cozinha Mineira' em destaque na Flim de São José

As Bahias e a Cozinha Mineira

Música. As Bahias e a Cozinha Mineira estará na Flim (Festa Literomusical), no dia 16, às 20h30, no parque Vicentina Aranha, em São José. Entrada gratuita

Foto: /Divulgação

Paula Maria [email protected]
São José dos Campos

Cantoras, compositoras, vaidosas, lacradoras, acadêmicas, militantes, trans, tropicalientes, "Índia", "Mulher", "Bichos", "Bixas" e, principalmente, artistas. Ah, elas também são As Bahias... E estão em um dos lugares mais aconchegantes do mundo: a Cozinha Mineira.

Raquel Virginia, Assucena Assucena e Rafael Acerbi mais quatro músicos compõem um dos grupos mais representativos da nova MPB: As Bahias e a Cozinha Mineira.

Nascida nos corredores da USP (Universidade de São Paulo), onde o trio cursava História, a banda alcançou um sucesso quase que meteórico com suas letras políticas que denunciavam todo tipo de preconceito.

"Estamos aqui para quebrar paradigmas. Antes questões como transexualidade não eram faladas. Hoje somos assunto. E a palavra é o que há de mais poderoso na humanidade: ela tem o poder de criar, recriar, ressignificar e trazer à tona a existência. E, nesse sentido, o discurso nos tira da invisibilidade", crava Assucena.

DISCURSO.

A fala do trio carregada de referências acadêmicas ganhou luz no disco "Mulher" (2012). No romantismo da produção independente, o primeiro trabalho trazia as marcas da Tropicália, movimento da década de 1960.

"Gal Costa foi nossa madrinha. Por meio dos seus álbuns, entendemos onde queríamos chegar na nossa narrativa estética. Ela foi a linha mestra", afirmou Rafael. "A própria capa do álbum é uma releitura do disco 'Índia' (1973) e buscamos no som uma musicalidade mais analógica".

De lá para cá, foram mais de 120 shows pelo país até "Bixas", disco que acaba de chegar às lojas. "Para este buscamos referências digitais. Ainda que as músicas tenham sido escritas na mesma época de 'Mulher', desta vez trouxemos uma linguagem mais tecnológica", contou o guitarrista.

O nome é uma referência a "Bichos" (1977), de Caetano Veloso. "Ele debateu nesse disco a natureza humana, e queríamos também falar sobre isso: hoje o ser humano se porta como parte não constituinte de uma natureza. E precisamos reduzir os preconceitos existentes", explicou. Ironias e metáforas fazem parte das letras nada óbvias, inspiradas em Mutantes e Rita Lee.

LUZES.

As Bahias fazem parte de um movimento que ainda que use a arte como libertação, não se priva da função social que ela carrega, afinal, uma vez que há Raquel e Assucena à frente como intérpretes, não há como fechar os olhos ao impacto social e a representatividade delas.

"Eu comecei a cantar tarde, mas a arte sempre esteve na minha vida, seja na música ou no teatro. Saí de São Paulo e fui embora para Salvador ser cantora de axé", ri Raquel. "Eu achava que alguém ia me ver e as portas iriam se abrir. Mas eu cheguei lá crua, não tinha contatos... Acabei voltando a São Paulo, então ingressei na USP e conheci Assucena e Rafael".

O trio teve de trancar o curso de História na sua reta final, em 2015. "As coisas começaram a acontecer depressa e a faculdade acabou ficando em segundo plano. Mas eu me sinto satisfeita. Não terei o diploma, mas estudei história, continuo estudando e faço historia com a minha obra", disse Raquel.

"Esse é o momento da quebra de paradigmas. As pessoas precisam ver transexuais no teatro, na música, com consciência crítica. Porque ao longo dos anos todas fomos empurradas para a marginalidade, para as ruas, um espaço violento. Quantas não viram na prostituição a única forma de sobrevivência. Então é preciso lutar, e estamos aqui para isso", completa Assucena.

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