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Setembro 08, 2017 - 23:07

Espetáculo 'Adeus, palhaços mortos' encerra o Festivale

Palhaços mortos

Palhaços mortos

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]
São José dos Campos

Palmas. O bater de mãos que enche o recinto ao término do espetáculo, dessa vez, ganhou uma nova sonoridade: distorcida, invertida e única numa alquimia sonora que inevitavelmente causará estranhamento no público.

Essa é a trilha sonora engendrada no espetáculo "Adeus, Palhaços Mortos", que encerra o Festivale (Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba), neste domingo (10), às 20h, no Teatro Municipal, em São José dos Campos.

A montagem da Academia dos Palhaços, de São Paulo, parte de "Um Trabalhinho para Velhos Palhaços", texto do romeno Matei Visniec, sobre um trio de artistas circenses que se deparam com o fim de suas carreiras e do próprio fazer teatral.

O enredo, aliás, casou - na ocasião da montagem da adaptação - com o momento da própria companhia, cujo projeto itinerante virou cinzas em dezembro de 2014."Éramos cinco atores. Sempre trabalhamos com uma linha de pesquisa de palhaço de circo e espetáculos populares. E, naquele ano, havíamos criado um projeto de uma kombi que funcionava como um teatro ambulante. Íamos com ela às comunidades de São Paulo levando espetáculos diversos, resultados de nossos estudos", contou o ator Rodrigo Pocidônio.

"No caminho da nossa terceira apresentação a kombi pegou fogo logo depois que a abastecemos. Cenário, equipamentos e figurinos, ficou tudo destruído", continuou.

A partir dali dois membros da trupe decidiram seguir outros rumos. Restaram, além de Pocidônio, Laíza Dantas e Paula Hemsi.

Após o período de "luto" e recuperação pela perda do trabalho arduamente conquistado ao longo de anos, o trio resolveu que era hora de montar um novo projeto. "Convidamos o diretor José Roberto Jardim, que nos apresentou o texto de Visniec". Pronto. Em três meses estava montado o espetáculo.

RESISTÊNCIA.

A peça da trupe segue a trama original com algumas adaptações e, ainda que tenha certa dose de humor, não é uma comédia. "São três palhaços numa entrevista de emprego. Eles trabalharam juntos no passado e aproveitam o reencontro para falar sobre a arte, o fazer teatral e o ofício do ator", diz Pocidônio.

Segundo ele, a peça dialoga com qualquer realidade a qualquer tempo, mais ainda com o momento em que o Brasil vive.

"A arte já é pouco valorizada, não temos, por exemplo, a cultura da bilheteria. E em tempos de crise econômica como a que vivemos é ainda mais difícil se manter. A peça diretamente e metaforicamente bate com todas essas questões, tão atuais", afirmou.

O resultado disso? Um texto ácido, direto, numa encenação minimalista, árida, sem floreios, de pouco gestos e muitos diálogos.

TECNOLOGIA.

Para André Ravasco, curador do Festivale, a peça dialoga com o a contemporaneidade proposta pela edição do evento, uma vez que traz sobre o palco os tradicionais palhaços atuando junto a projeções.

"Acredito que a peça traga a tônica da nossa cidade: caipira e da beira do rio, mas ao mesmo tempo extremamente tecnológica. E a forma como esses dois momentos dialogam no espetáculo provoca uma discussão interessante", disse.

A cenografia e as videoinstalações são do coletivo BijaRi, e a direção musical e trilha sonora eletrônica leva a assinatura de Tiago de Mello.

SERVIÇO.

O teatro municipal fica na rua Rubião Junior, 84, 3º andar (shopping Centro). A entrada é solidária: doação de arroz, feijão ou óleo. As trocas podem ser feitas até 1h antes na bilheteria local.

Em tempo, há um final feliz: a Academia de Palhaços conseguiu no ano seguinte comprar e montar uma nova kombi e segue com outros dois atores convidados se apresentando por comunidades de São Paulo e pelo interior do Estado..

 

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