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Setembro 11, 2017 - 20:16

Mundu Rodá apresenta encantadora versão do Cavalo Marinho

Donzela Guerreira

Donzela Guerreira

Foto: Nilmar Lage/Divulgação

Confira crítica da peça 'A Donzela Guerreira', da Cia. Mundu Rodá, por Simone Carleto

Simone Carleto
São José dos Campos

Segundo a sinopse do espetáculo "A Donzela Guerreira", da Cia. Mundu Rodá, de São Paulo, a peça "narra a trajetória de uma jovem que se disfarça de homem, em um combate, para substituir seu pai. O disfarce, entretanto, não impede que a guerreira e seu capitão se apaixonem um pelo outro e passem a travar seus próprios conflitos, colocando à prova princípios, sentimentos e desejos”.

A peça foi exibida na noite de 8 de setembro na 32ªa edição do Festivale, no Teatro Municipal. A dramaturgia e adaptação são do ator Alício Amaral e da atriz Juliana Pardo, do diretor do espetáculo Jesser de Souza e de Suzi Frankl Sperber.

O trabalho enfoca a manifestação popular tradicional do Cavalo Marinho e a obra Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa. O folguedo mistura canto, dança, teatro, máscara, com inúmeras figuras mascaradas e uma complexidade característica da riqueza cultural brasileira. Fruto de pesquisa intensa pesquisa das tradições brasileiras, e do contato com o trabalho do Lume Teatro, o espetáculo, que estreou em 2007, tem sido apresentado em inúmeros locais pelo Brasil afora.

A obra se relaciona também com a trajetória da atriz Juliana Pardo dentro do brinquedo Cavalo Marinho. A atriz citou logo após o espetáculo que ele homenageia as mulheres da Zona da Mata, e a possibilidade de as mulheres poderem assumir suas personalidades, sem se esconder.

É impressionante a apropriação da dupla do processo e conceitos que permeiam a pesquisa, assim como o desempenho dos dois durante o coerente espetáculo. A coerência se verifica também na apropriação da profundidade que envolve a discussão a respeito da preservação das manifestações da cultura popular tradicional, atrelada ao contexto social e aos atos de resistência. O belíssimo cenário com galhos em suspensão, é uma sugestão de lugar árido, possibilitando o desenvolvimento da poética do grupo, que permite durante a atuação virtuosística que o processo de criação transpareça, preservando o frescor do jogo e da brincadeira durante a encenação.

Ambos os intérpretes têm seus momentos específicos na narrativa, como artistas e personagens. Alício apresenta o prólogo narrativo, tocando rabeca, cantando e dançando e Juliana também apresenta sua personagem em transição para assumir a personagem do soldado, ambos em belíssimas combinações do tradicional ao contemporâneo, Nesse sentido, toca os aspectos mnemônicos do repertório do público, apresentando também as releituras e ressignificação do grupo, o que consiste em uma das estratégias para a divulgação e permanência do folguedo.

Simone Carleto

(Crítica do 32º Festivale. Artista pedagoga, mestre e doutoranda em Artes Cênicas pela Unesp. Foi atriz do Canhoto Laboratório de Artes da Representação de 2001 a 2008. Participou da implantação e coordenou a extinta Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos, de 2005 a 2016)

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