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Setembro 29, 2017 - 23:57

Vida bandida: história de protagonista da Globo tem menos ficção e mais realidade do que se imagina'

Juliana Paes

Personagem de Juliana Paes é inspirada em Fabiana Escobar, ex-esposa de Saulo de Sá Silva, o Barão do Pó, chefe do tráfico na Rocinha

Foto: Mauricio Fidalgo/Divulgação

Paula Maria [email protected]
São José dos Campos

Um caso de vilania ou passividade em relação ao que ocorre ao seu redor? Uma mulher sem caráter ou sem identidade? Uma questão de prazer ou sofrimento? Quando se trata de Bibi Perigosa, essas são definitivamente questões difíceis de responder. Mas uma coisa é certa: a história narrada por Glória Perez, em "A Força do Querer" (Globo), tem menos ficção e mais realidade do que se imagina.

A personagem de Juliana Paes na trama das nove traz a realidade de cerca de 70% das mulheres que hoje se encontram presas. Na trama, Bibi é casada com Rubinho (Emilio Dantas). De caráter duvidoso, em meio ao aperto financeiro, ele se envolve com o tráfico de drogas, e a leva junto para o crime.

A personagem representa esposas de traficantes que, quando estes são presos, assumem "a correria" no lugar dele, vigiando o espaço deixado para trás pelo marido dentro da hierarquia da criminalidade como uma forma de garantir que esta esteja ali, para quando o homem retornar.

"As vejo com uma certa ingenuidade. Por amor, elas são capazes de qualquer coisa, mesmo amorais", afirmou Sonia Ponciano, funcionária da P2 de Tremembé, coordenadora regional do Sifuspesp (Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de S. Paulo).

Ainda segundo ela, a "ficha" de que há algo errado na relação amorosa do casal custa a cair até mesmo quando a mulher é presa. "São mulheres sem identidade, que se apoiam nesses homens. Por vezes, por serem ré primárias, são induzidas, inclusive, a assumir o crime no lugar do parceiro. E, em 90% dos casos são abandonadas dentro da prisão", contou.

NAS RUAS.

Segundo Juliana, as reações nas ruas diante dos feitos da sua personagem são diversos. "Se estou em um lugar junto das classes A e B escuto: 'que absurdo! Vontade de dar uns tabefes nessa Bibi. Larga esse homem!'. Mas se estou em uma comunidade, ouço 'Entendo você, já tive uma tia/prima/mãe que passou por isso', 'Eu já passei por isso, fiz loucuras por amor e me arrependi'", contou a atriz, que crê que essa seja a personagem mais ambígua de sua carreira.

"É uma realidade muito complicada. Eu saio das gravações cansada fisicamente porque a Bibi tem uma energia cíclica, é uma mulher que está sempre vibrando em alta frequência", disse. "Não se trata de uma vilã, ela não é uma mulher de má índole, mas tem uma ética flexível".

Mas será que a personagem traz uma visão glamourizada da vida no crime?

REALIDADE.

Para Sonia sim. "A novela não mostra o sofrimento da Bibi longe do filho, não mostra a relação do filho dela com a sociedade. E é preciso dizer que a escolha da mulher em viver essa vida tem um preço cruel não só para ela mas para todos ao redor", afirmou. "Nossa preocupação são as adolescentes. O amor mostrado é glamourizado. Hoje, Bibi e Rubinho são comparsas, não um casal".

Ainda para ela, não se pode colocar a culpa no amor. "Mesmo a dificuldade financeira não justifica a ausência de valores morais", continua.

Para Juliana, a morte é um final sempre muito emocionante. "Mas torço mais por uma redenção de Bibi. Que ela aprenda com os próprios erros. Essa será uma boa mensagem a se passar". .

 

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