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Editorial
Outubro 04, 2017 - 23:55

que tem temer a temer?

Apresentada à Câmara, defesa do presidente não explica as acusações e é uma patética peça de fantasia e de delírio


Orei está nu. Completamente nu. E ao que tudo indica, tendo como base a defesa apresentada por seus advogados, está sofrendo de graves delírios, enquanto observa encastelado no Palácio do Jaburu o seu governo putrefato ruir. Acusado de liderar o chamado 'quadrilhão do PMDB' na Câmara, o presidente Michel Temer apresentou nesta quarta-feira sua peça de defesa à Câmara dos Deputados, mais precisamente à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. Trata-se de uma tese ridiculamente rocambolesca, alheia à realidade e digna de um roteiro hollywoodiano.

A defesa, entregue pelo advogado Eduardo Carnelós, defensor de Temer, ao presidente da Comissão, o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), diz que o peemedebista está sendo vítima de uma 'tentativa de golpe'. Parece piada. Déja vu?

De acordo com a tese sustentada pela defesa, está em curso um criminoso complô que tem como objetivo derrubar Temer, tirá-lo da Presidência da República. Como? Por meio da nova denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, ainda sob o comando de Rodrigo Janot -- o ex-procurador-Geral da República a quem, na peça de defesa, Temer classifica como sendo 'antiético, imoral, indecente e ilegal'.

Pela primeira vez na história, o presidente em exercício foi acusado de envolvimento em crimes -- neste caso, obstrução de Justiça e organização criminosa. Além dele, a denúncia de Janot atinge outros figurões do governo e aliados de Temer.

A acusação tem como base as delações premiadas da JBS -- o presidente chegou a ser gravado por Joesley Batista durante uma conversa nada republicana travada, fora de sua agenda oficial e à noite, nos porões do Palácio do Jaburu. O empresário, que podia chegar à residência oficial do peemedebistas à noite e entrar sem ser anunciado, foi chamado de 'Iscariotes' pela defesa de Temer.

O presidente, que bate recordes de rejeição (tem aprovação de 3% do eleitorado, segundo a última pesquisa), vive em uma realidade paralela, em um castelo de fantasia e delírio.

Há fortes indícios de irregularidades graves, de crimes. Mas, como não consegue explicar o inexplicável, Temer faz ataques a inimigos invisíveis. Infelizmente, no Congresso Nacional, joga-se um jogo de cartas marcadas, em que a negociação de cargos e liberação de verbas é que ditam as regras. A investigação, a exemplo do que ocorreu na primeira denúncia, deve ser barrada na Câmara.

E a dúvida é mantida: há tanto assim a Temer, presidente?.

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