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Editorial
Outubro 09, 2017 - 23:33

COMBATE À CORRUPÇÃO

Para ser eficaz, guerra ao problema deve atacar também mudança cultural: sem o tal 'jeitinho', o Brasil tem jeito


Na fila do caixa, os dois amigos conversam de maneira acalorada sobre a gravíssima crise que assola o país. Depois de saborear o último gole no café, um deles deixa a xícara sobre o balcão, cutuca o amigo e aponta para o aparelho de televisão, sintonizado no noticiário de Brasília. O destaque era um político denunciado por envolvimento em um fraudulento esquema de corrupção, em que obras públicas eram superfaturadas. 'Viu? É por esse tipo de político que o Brasil não vai para frente', disse um dos clientes, enquanto o colega apenas concordava em silêncio. Chegando ao caixa, ambos recebem a conta: são R$ 20 para cada. Eles pagam, mas pedem um favor à funcionária: dá para fazer a notinha de R$ 35?

A história, que é -- infelizmente -- tão frequente no dia a dia do Brasil serve para ilustrar o debate sobre a corrupção, esta doença que ataca o país. Este mês , o prestigiado jornal francês 'Le Monde' afirmou que há um quadro grave, de gangrena, provocado pela corrupção em território brasileiro -- a afirmação ocorreu após o escândalo de corrupção na Rio 2016.

Mas, afinal, o país tem jeito?

Uma pesquisa realizada pela Transparência Internacional, divulgada nesta segunda-feira, afirma que 83% dos brasileiros acreditam que os cidadãos comuns podem fazer a diferença na luta contra a corrupção.

O dado é interessante. Durante séculos, o jeitinho brasileiro foi sendo construído e chegou a ser motivo de orgulho, uma referência à malandragem dos brasileiros -- um de seus símbolos foi o personagem Zé Carioca, criado por Walt Disney na década de 1940, em meio ao esforços dos EUA para contar com o apoio brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial.

Trocando em miúdos, como já dizia a 'Lei de Gérson', hoje felizmente cada dia mais fora de moda, o brasileiro, retratado como um bon vivant, queria levar vantagem em tudo.

Há quem afirme que os governantes são um espelho de seus eleitores. Faz sentido, afinal os políticos não são alienígenas, eles são parte integrante desta sociedade que os elegeu.

Ao responder que acredita que os cidadãos comuns têm a condição de fazer a diferença na luta contra a corrupção, a maioria dos brasileiros mostra estar ciente de que o combate ao problema não pode se resumir a Brasília. A mudança é de fato muito mais profunda, não passa só pelos bancos do Congresso Nacional. Passa também pelos bancos escolares.

Porque sem o jeitinho brasileiro, o Brasil tem jeito..

 

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