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Editorial
Outubro 12, 2017 - 00:23

SUPREMA REJEIÇÃO

Decisões recentes dos ministros do STF ajudam a entender a forte rejeição do brasileiro ao Judiciário


A onda de rejeição que atinge os políticos chegou com força ao STF (Supremo Tribunal Federal). Pesquisa recente, do Instituto Ipsos, indicou aumento da desaprovação a ministros da corte. Os dados, divulgados em agosto deste ano, não chegam a surpreender.

A desaprovação de Gilmar Mendes, por exemplo, chegava a 67%. A presidente Cármen Lúcia tinha 47% de desaprovação. Edson Fachin, 38%.

É fácil entender os motivos para tão baixa aceitação pública. O Judiciário, não é de hoje, faz política. Um exemplo foi dado nesta quarta-feira, véspera de feriado. Por 6 votos a 5, os ministros do STF consideraram necessário o aval do Congresso para o afastamento de deputados e senadores de seus mandatos por ordem da Corte. A presidente Cármen Lúcia deu o voto de desempate, após a votação ficar 5 a 5.

O resultado é mais uma anomalia política. Parlamentares que pertencem à base aliada, hoje em maior número, têm mais chance de escapar de uma punição. Políticos da oposição, minoria nas duas Casas, estão mais ameaçados. Ou seja, claramente dois pesos e duas medidas.

Trata-se de um acordo entre Judiciário e Legislativo. Senadores ameaçavam retaliações, votando projetos prejudiciais ao STF, caso os ministros não determinassem que o afastamento de deputados e senadores depende de aval do Congresso Nacional. 

Assim foi feito. "Esta é a dúvida jurídica que o Supremo vai, pela primeira vez, interpretar e verificar", disse nesta semana Cármen Lúcia.

Em tempos de Lava Jato, não se exige dos ministros unanimidade em torno de temas polêmicos. Mas é preciso transparência. Algo raro entre políticos e, nota-se agora também, entre os membros da suprema corte brasileira.

Neste contexto, fica mais fácil entender o resultado de pesquisas. Basta lembrar que, recentemente, Gilmar Mendes chegou a classificar como abusiva a atuação do MPF (Ministério Público Federal) em grandes investigações no Brasil, incluindo a Operação Lava Jato. Mendes e o ex-procurador-geral da República chegaram a duelar publicamente, em uma luta para desqualificar o oponente. 

Quem perdeu? O Brasil, logicamente. Além, é claro, dos próprios envolvidos, cada vez mais rejeitados pela população brasileira..

 

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