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Editorial
Outubro 20, 2017 - 23:34

BRASÍLIA E O '7 A 1' DIÁRIO

Presidente Temer, que devia ter levado cartão vermelho, vende a imagem de 'Tite' do Planalto, porém é só um '7 a 1'


Lá vem eles de novo e lá vem eles de novo, que absurdo... é gol da Alemanha. A frase, que entrou para a história do futebol pentacampeão do mundo, ficou famosa na voz de Galvão Bueno e virou um símbolo da derrota acachapante da Seleção Brasileira para a Alemanha no Mineirão, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, pelo vergonhoso placar de 7 a 1. Foi a maior derrota do Brasil, ao lado do revés sofrido no Maracanã em 1950, quando o ponteiro uruguaio Ghiggia bateu o arqueiro Barbosa, virou o jogo e escreveu uma das páginas mais incríveis do esporte: o Maracanaço.

Encastelado no Jaburu, absolutamente isolado da realidade nefasta que assola o Brasil, país em que a corrupção parece dar as cartas em campo e a ética já foi chutada para escanteio, Michel Temer pretende utilizar o futebol em sua próxima jogada de marketing.

A equipe de Temer, presidente acusado de ser líder do quadrilhão, quer vender a imagem de que o peemedebista é como Tite, técnico que conseguiu arrumar a Seleção após a tragédia do Mineirão -- aqui, dentro do esquema tático do Planalto, seria feita a analogia de Dilma Rousseff como Felipão.

Antes de mais nada, é preciso recordar: Temer foi vice-presidente da petista, apesar de ter o bizarro hábito de tentar reescrever a história e dissociar-se do governo anterior.

Em uma semana em que Brasília deu uma goleada de péssimas notícias, como o Mineiraço de Aécio Neves no Senado, a tabelinha ultrajante de impunidade e fisiologismo na CCJ (a comissão ignorou as provas do MP, defendendo arquivamento da denúncia contra Temer, que abre os cofres para conquistar a vitória no plenário), e outras.

E Brasília, infelizmente, parece nos escravizar -- o retrocesso é tão grande que até mesmo este verbo voltou a ser escalado -- em um 7 a 1 moral que não tem fim. E na arquibancada, o silêncio das panelas nos lembra o Maracanã de 1950. E sabe o que é pior? Lá vem eles de novo, que absurdo... todo dia é um gol da Alemanha..

 

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