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Editorial
Outubro 23, 2017 - 23:57

'DAY AFTER' DE TEMER

Planalto prepara dia seguinte à queda da denúncia, mas o futuro do governo será tão sombrio quanto o presente 


O plenário da Câmara dos Deputados vota amanhã parecer da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pela inadmissibilidade da acusação contra Michel Temer (PMDB). Difícil, entretanto, é acreditar que existam 342 deputados interessados em autorizar uma investigação no Supremo contra o presidente da República.

O Planalto, portanto, já prepara as estratégias para o "day after", quando pretende retomar o pacote de reformas. Sem clima, Temer vai apelar novamente para o marketing. Lançará uma campanha com o mote "Agora é Avançar". O slogan, definido pelo governo, vai aparecer na publicidade institucional e em discursos do alto escalão.

Essa tentativa de "virar a página", entretanto, parece fadada ao fracasso. Passada a denúncia, deputados da base governista voltarão o foco para a eleição de 2018. Difícil acreditar que, a menos de um ano para o pleito, algum parlamentar se arrisque a defender reformas antipopulares. 

Não bastasse isso, o clima eleitoral naturalmente vai produzir fatos negativos contra Temer e sua trupe. A oposição, encabeçada por PT e PSOL, entendem do assunto e prometem explorar temas polêmicos, como a recente mudança no conceito de trabalho escravo. Para variar, o próprio governo dá uma "ajudinha" ao produzir fatos negativos.

Neste momento de desgaste, até deputados desconhecidos querem seus 15 minutos de fama. Ontem, por exemplo, o vice-líder do PcdoB na Câmara, deputado Rubens Pereira Júnior (MA) protocolou um mandado de segurança no STF pedindo que a votação da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, seja separada para cada acusado.

Provavelmente, o Supremo vetará. Mas, para o autor, o resultado é o de menos. Vale o esforço para reduzir ainda mais a aprovação do presidente da República. O simples fato de ir ao STF já lhe garante fotos em jornais e sites de informação de todo o país.

A Temer, que vencerá em plenário amanhã, restará empurrar seu governo até dezembro de 2018. Sem as reformas econômicas, sem a ética e, sobretudo, sem uma marca que lhe assegure lugar de destaque na história nacional..

 

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