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Editorial
Outubro 25, 2017 - 00:14

ESCRAVIDÃO DA POLÍTICA

Fisiologismo, negociatas, corrupção e outras práticas do poder escravizam a pobre democracia e o povo do Brasil


Em 13 de maio de 1888, após séculos de uma desumana exploração, o Brasil viu-se livre da escravidão. Com a assinatura da Lei Áurea, pela princesa Isabel, o país virou a mais obscura e vergonhosa página de sua história, apesar de ainda carregar na pele e na alma as feridas abertas por ter sido o último povo livre das Américas a abolir a escravatura -- é espantoso pensar que isso ocorreu só 129 anos atrás. A escravidão é, sem dúvida, um dos símbolos históricos do atraso brasileiro .

Retroceder, porém, mantém-se nos dias atuais um verbo a ser conjugado diariamente, de forma exaustiva, pelos palacianos de um país escravizado.

O mais recente exemplo deste processo que castiga o país, feito chicotadas que rasgavam a pele negra presa ao tronco, é a portaria 1.129 do Ministério do Trabalho. Nela, o governo do presidente Michel Temer, o denunciado por supostamente liderar o 'quadrilhão' do PMDB na Câmara, altera a definição do que é trabalho escravo para os fins de seguro-desemprego.

Na prática, Temer afrouxou a definição do que é enquadrado como trabalho escravo, além de aumentar a burocracia para sua fiscalização e impor sigilo para a chamada lista suja, com os empregadores flagrados reduzindo funcionários a condição análoga à escravidão.

Este absurdo, condenado por organismos de todo o planeta, foi um dos afagos do presidente à bancada ruralista, que tem mais de 200 deputados e possui papel decisivo no plenário -- o mesmo que vota hoje a denúncia contra Temer, que se acostumou a usar o fisiologismo de Brasília na busca pelos votos que, mesmo por um alto preço, possam lhe salvar o pescoço.

Ontem, felizmente, a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o efeito da portaria, por meio de uma decisão liminar.

E hoje, a Câmara deverá barrar -- novamente -- a apuração contra Temer e seus aliados. Porque, infelizmente, seguimos escravos de um fisiologismo corrupto que acorrenta a pobre democracia brasileira, castigando, dilacerando, sufocando o povo que sente na pele diariamente o açoite dos senhores deste engenho tão engenhoso chamado Brasil..

 

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