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Editorial
Outubro 26, 2017 - 23:14

EXISTE UM RETORNO?

Mordomias oferecidas a parlamentares precisam dar um retorno à população, que paga essa pesada despesa


Em tempos de desemprego em alta, é difícil encontrar uma empresa que ofereça bom salário, motorista à disposição, tanque de combustível cheio, aparelho de celular, passagens aéreas à vontade, diárias em hotéis, além de dois recessos por ano.

Esse patrão dos sonhos, caro leitor, somos todos nós. Com o dinheiro dos altos impostos, bancamos todas essas mordomias (e outras mais) aos nobres vereadores. É assim em Taubaté, São José, Jacareí e outras dezenas de municípios brasileiros. Infelizmente.

Em Taubaté, entretanto, a situação parece ter fugido do controle. O editor-executivo Julio Codazzi tem revelado, ao longo desta semana, a farra das viagens ocorrida no Legislativo. Entre janeiro e setembro deste ano, os vereadores gastaram 1.200% a mais em viagens oficiais do que os parlamentares de São José e Jacareí somados.

Nos primeiros nove meses de 2017, nossos representantes taubateanos receberam R$ 17.578,63 para ressarcir despesas em viagens. Em São José, foram R$ 965,72. Em Jacareí, um total de R$ 377,46.

Hoje, outro dado estarrecedor. A Câmara de Taubaté gastou em nove meses R$ 151 mil em diárias a servidores da Casa. O valor é 795% maior que em São José. E 1.830% superior ao gasto pelo Legislativo de Jacareí.

É inegável que, para representar a população, os vereadores precisem viajar. Ir a Brasília, em busca de recursos, é sempre necessário. Discute-se, porém, a falta de justificativa plausível para determinadas missões oficiais. 

O Ministério Público chegou a instaurar inquérito civil para apurar eventual irregularidade em uma viagem oficial feita em julho pelo vereador de Taubaté Jessé Silva (SD), que teve como destino a cidade de Mariana, em Minas Gerais. Qual o real motivo da viagem? Ela realmente era necessária?

A população, na condição de empregadora, merece satisfação e transparência máxima dos nobres empregados. É preciso ter retorno prático após tantas benesses oferecidas pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Mas, afinal, existe um limite para tanta mordomia? A resposta é negativa. Não há como determinar um valor específico. O limite precisa ser o da eficiência. Viajou? Então precisa apresentar os resultados práticos à cidade.

Até porque existe aí um contraste imenso entre a vida boa dos vereadores com rotina do trabalhador comum..

 

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