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Editorial
Outubro 25, 2017 - 23:54

UMA VITÓRIA ENGANOSA

Presidente Michel Temer (PMDB) obtém vitória em plenário, mas não se livra do futuro político sombrio


O presidente Michel Temer (PMDB) precisou ser levado às pressas ao Hospital do Exército, em Brasília, minutos após sentir um desconforto. Nada grave. Se o quadro clínico do peemedebista melhorou no fim da tarde, o quadro político só piora. 

Ontem, na votação que livrou Temer de ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) durante o exercício do mandato, o presidente ganhou motivos para se preocupar. Rejeitado por mais de 95% dos brasileiros, obteve em plenário menos votos que na primeira denúncia: 263 contra 251.

Temer ainda sonha em, a partir de agora, engatar a quinta marcha e aprovar as reformas que vem prometendo desde o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT). Uma análise mais aprofundada da votação de ontem, mais apertada que a primeira, permite dizer que o presidente perde espaço entre os deputados do Centrão, grupo formado por 12 partidos.

São esses parlamentares, liderados pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que querem ditar o ritmo de votações em plenário, principalmente em pautas como segurança pública e reforma econômica. Ou seja, a vontade do Planalto não vai prevalecer diante dos interesses desse grupo.

Um exemplo foi dado na terça, quando Rodrigo Maia foi questionado sobre a sua relação com Temer: "Em política não tem amiguinho, muito menos para sempre".

Vitorioso em plenário ontem, o presidente da República está cada vez mais fraco na Câmara dos Deputados, palco onde sempre exerceu influência. Os "afagos" que ofereceu a parlamentares da base aliada, para levar a melhor na votação, não servirão para as pautas a serem colocadas no Congresso Nacional faltando menos de um ano para a eleição.

A reforma da Previdência, bandeira que empunhou no início de 2016, derreteu. Não há mais tempo para apreciação de uma proposta tão impopular. Principalmente porque, a partir de março de 2018, os deputados raramente estarão em Brasília. A ordem é voltar às bases eleitorais em busca dos votos pela reeleição.

Temer teve duas boas notícias nesta quarta. Primeiro, descobriu que o seu desconforto não era nada tão grave. Segundo, livrou-se de ser investigado pelo STF. Esta última, porém, mascara um drama político a ser enfrentado nos próximos 14 meses que lhe restam à frente do país..

 

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