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Editorial
Novembro 08, 2017 - 23:43

PARA QUEM SE GOVERNA?

Temer faz do cargo uma ferramenta para satisfazer os interesses de aliados, colocando-os à frente da população


A troca no comando da Polícia Federal, definida ontem pelo presidente Michel Temer (PMDB), passaria batida no noticiário nacional não fosse por dois motivos. O primeiro, mais óbvio, tem relação com a Operação Lava Jato, em parte liderada pela PF. O segundo, mais deprimente, está ligada aos motivos para a troca: pressão da base governista no Congresso Nacional.

A escolha do delegado Fernando Segóvia, que substitui Leandro Daiello no cargo de diretor-geral, foi uma imposição de parlamentares governistas a Temer. O novo titular é "bem visto" na família do ex-presidente da República, José Sarney (PMDB).

Com a Lava Jato fechando o cerco, investigados trabalham para "estancar a sangria" e enxergam no novo titular essa possibilidade. Se vai se confirmar ou não, só uma análise do trabalho de Segóvia permitirá responder a questão.

Este é só mais um exemplo de que Michel Temer, desde que assumiu a cadeira, governa para setores reduzidos da sociedade. Um deles, o Congresso. Ou melhor, a base aliada. Basta uma pressão para que o peemedebista entregue a encomenda rapidamente.

Foi assim com a portaria do trabalho escravo, um pedido da bancada ruralista. E continuará dessa forma pelos próximos meses. A pressão, aliás, será cada vez mais forte. Agora, o Centrão - formado por siglas de médio porte, como PP, PR e PRB - ameaça obstruir votações de interesse do Planalto caso os ministros do PSDB não sejam exonerados.

Temer está emparedado. Avalia antecipar a reforma ministerial de abril de 2018 para janeiro do próximo ano. Claramente, o presidente está refém do bloco, que demonstra nenhum interesse pelo Brasil e muito apego às benesses da máquina pública.

"Ou muda o ministério ou não vota mais nada aqui", afirmou nesta semana o deputado Arthur Lira (PP-AL). O nobre parlamentar comanda uma bancada de 45 integrantes.

A cobiça por ministérios e cargos não é exclusividade deste governo. Aliás, o "toma lá dá cá" existe desde o Brasil Colonial. Mas, em tempos de moralização, é cada vez mais inaceitável essa política rasteira, que exclui os reais interesses da população.

Uma nova chance de mudar esse quadro será dada em 2018. Mas, até o momento, os nomes que se apresentam para a disputa não enchem o eleitor de esperança..

 

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