São José dos Campos
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Editorial
Novembro 10, 2017 - 00:08

CORTE DE FUNCIONÁRIOS

Com orçamento alto, Câmara montou estrutura inchada, mas precisará se adequar à realidade dos brasileiros


O orçamento da Câmara de São José dos Campos foi definido em R$ 56,760 milhões para este ano. Essa cifra, para que o leitor reflita, é superior ao montante destinado às secretarias de Esportes (R$ 55,451 milhões), Proteção ao Cidadão (R$ 39,231 milhões) ou Fundação Cultural Cassiano Ricardo (R$ 25,711 milhões).

Com orçamento inferior, essas três secretarias se desdobram para atender aos cidadãos nos quatro cantos da cidade e, ainda, pagar a folha salarial dos servidores. No caso do Legislativo, não há relato de dificuldade para administrar esse dinheiro. Ao contrário. É comum, ao fim do exercício, o presidente devolver verba à prefeitura.

Essa peça orçamentária "folgada" permitiu que, historicamente, a Câmara inflasse o número de funcionários comissionados, boa parte com salários de dar inveja a qualquer trabalhador da iniciativa privada. Os servidores de carreira também sempre gozaram de bons vencimentos.

Mas, na última década, Ministério Público e TCE (Tribunal de Contas do Estado) voltaram suas atenções a essa "ilha da fantasia" que se transformou o Legislativo. Não apenas em São José dos Campos, mas na maioria dos municípios. Raro é encontrar uma grande ou média cidade que não esteja na mira da Promotoria.

E com razão. Chega a ser uma afronta que, em tempos de crise, o poder público mantenha funcionários ociosos, colados à estrutura oficial graças à proximidade com agentes políticos. Nem todos se encaixam neste perfil, mas infelizmente é o que acontece.

O presidente da Câmara de São José, vereador Juvenil Silvério (PSDB), pretende cortar 50 comissionados até o fim de dezembro. Embora anuncie como benfeitoria, é importante destacar que a medida vai ser tomada sob pressão.

Eliminar a gordura do Legislativo é importante. Mas estivesse de fato interessada em zelar pelo bom uso dos R$ 56,760 milhões do orçamento do Legislativo, a Mesa Diretora não tentaria aprovar em fevereiro, em votação relâmpago, a sobrevida para 16 cargos previstos para serem extintos.

A redução de comissionados é positiva, mas não apaga tantos gastos desnecessários com o dinheiro público..

 

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