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Editorial
Dezembro 06, 2017 - 23:22

AS PLANILHAS DE TEMER

Governo está longe dos 308 votos para aprovar reforma da Previdência, mas tenta evitar o clima de 'já perdeu'


Uma política movida a planilhas. Das elaboradas pela Odebrecht até as criadas para monitorar votos de deputados e senadores. Se as reveladas pela Operação Lava Jato aos poucos caem no esquecimento, a lista de parlamentares para reforma da Previdência repercute diariamente no noticiário.

A planilha elaborada pela equipe do presidente Michel Temer (PMDB) está longe de atingir os 308 votos necessários para a aprovação das mudanças na aposentadoria. O governo peemedebista, no entanto, quer evitar o clima de "já perdeu" na base aliada.

Motivo: medo de perder os votos favoráveis que possui até agora. A análise do Planalto é que um deputado a favor da proposta, ao notar a grande chance de derrota, pode mudar de posição para ficar bem em sua base eleitoral.

Nos últimos dias, portanto, Temer e os ministros têm alardeado a conquista dos votos suficientes para a aprovação, bastando apenas garantir uma margem de segurança.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, fundador do PSD, também demonstrou otimismo em relação à votação e aprovação da reforma. Segundo ele, "o balanço é bastante favorável" e "melhorou sensivelmente a possibilidade de votação". Será mesmo?

Faltou combinar com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar, que ora ajuda o governo, ora atua contra os interesses do Planalto, foi mais realista que o time palaciano.

Segundo Maia, ainda não é possível votar a reforma da Previdência, pois todos os partidos estão com dificuldade para reunir votos. De acordo com ele, a data de votação da reforma só será marcada depois do convencimento de um número significativo de deputados a favor da proposta.

"Não dá para votar essa matéria, ela é muito importante, ela tem impacto muito forte nas expectativas da sociedade. E a gente ir para uma votação com clareza de derrota, apenas para ter uma data, a gente vai estar gerando uma sinalização de que não há na Câmara uma responsabilidade fiscal majoritária", disse nesta quarta-feira.

Em meio a planilhas de votos, o governo Temer demonstra falta de capacidade de articulação e, sobretudo, falhas na elaboração do projeto de caráter reformista..

 

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