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Editorial
Dezembro 21, 2017 - 00:14

SAIDINHA LÁ NO SUPREMO

Em apenas uma semana, ministro Gilmar Mendes manda soltar Garotinho, empresários e barra condução coercitiva


Cerca de 3.000 presos devem deixar as celas do sistema prisional da RMVale, região recordista em homicídios no estado, e ir para as ruas durante o Natal, graças ao benefício da saída temporária concedido pelo Poder Judiciário. E eles vão ganhar a liberdade -- enquanto os moradores da região ficam presos em casa, temendo a violência -- sem possibilidade de serem monitorados, já que há uma falta de tornozeleiras eletrônicas. Um absurdo.

Em Brasília, como deixa claro o noticiário recente, o controverso ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), parece ter decidido criar a sua a própria versão da 'saidinha' -- neste caso, beneficiando políticos e empresários envolvidos diretamente, frontalmente, em inúmeras denúncias de corrupção, com desvio de milhões, milhões, milhões e milhões de reais dos cofres públicos.

Na noite desta quarta-feira, o magistrado da Suprema Corte mandou soltar Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro acusado de corrupção, concussão, organização criminosa, entre outros crimes. Garotinho e o presidente do partido PR são acusados de receber caixa dois da JBS.

Por falar em JBS... mo último fim de semana, revistas semanais mostraram que a JBS teria relações classificadas de 'perigosas' com Gilmar Mendes.

Sócio-fundador do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), ele teria recebido valores de patrocínios das empresas, dentre as quais a JBS, que iam direto para sua conta bancária pessoal, segundo reportagens.

Um dia antes de soltar Garotinho, o magistrado já tinha feito o mesmo, em benefício de dois empresários presos na Operação Fratura Exposta, da PF (Polícia Federal). E, um dia antes, concedeu prisão domiciliar para Adriana Ancelmo, a esposa do ex-governador fluminense Sérgio Cabral, também preso.

Nada fora do normal quando o atuação do ministro é analisada, já que isso se repete com outros nomes, como com o empresário Jacob Barata Filho, de apelido o 'Rei dos Ônibus', por exemplo, de quem Gilmar Mendes foi padrinho no casamento da filha.

O magistrado -- entre mandar um acusado e outro para casa -- ainda teve tempo nessa semana para suspender a condução coercitiva contra investigados.

O ministro, que inclusive tem o hábito de manter íntima relação com políticos denunciados, como Michel Temer e Aécio Neves, é contra a restrição do foro privilegiado e diz que é preciso 'corrigir os abusos nas delações premiadas'.

A Justiça que o brasileiro, tão cansado de corrupção e impunidade, anseia é diferente da Justiça de Gilmar Mendes..

 

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