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Dezembro 21, 2017 - 23:49

Edital 'Arte nas ruas' tem saldo positivo, segundo FCCR

Resistência. Malabaristas lutam para continuar mostrando sua arte nos semáforos

Resistência. Malabaristas lutam para continuar mostrando sua arte nos semáforos

Foto: Rogério Marques/OVALE

Artistas receberam média de R$ 1.800 por mês, mais do que a média dos salários de admissão, de janeiro a junho, nas cidades da RMVale

Paula Maria [email protected]

R$ 1.615,74. Essa foi a média dos salários de admissão, de janeiro a junho deste ano, nas cidades da RMVale, segundo os últimos dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

R$ 1.800 foi o valor médio recebido por um artista de rua que apostou no projeto da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) nos quatro meses do edital de Intervenções artísticas "Arte nas Ruas", que encerrará no dia 31 de dezembro.

Trata-se, claro, de uma conta simples. Ao longo dos meses, foram realizadas 1.930 horas de atividades a um custo de R$ 30 a hora (valor sem os descontos de tributações previstas em lei). No total, foram investidos R$ 72 mil nos oito artistas cadastrados que participaram das ações indicadas pela instituição.

E uma vez que não havia carga mínima ou máxima de trabalho, alguns artistas fizeram menos de 30 horas, enquanto outros fizeram bem mais.

"Foi uma experiência de um projeto inédito no país. Vamos fazer um balanço em janeiro para discutir o que pode ser melhorado. Mas o resultado positivo que obtivemos até o momento é fruto de um trabalho desenvolvido coletivamente entre a Fundação Cultural e os artistas", afirmou Agenor Carvalho, diretor cultural da instituição.

Segundo ele, malabaristas estiveram em escolas públicas, casas de cultura, quadras poliesportivas, Casas do Idoso e parques. "Eles recebem uma vez ao mês as atribuições (locais e horários de apresentação) e, os que tinham disponibilidade, seguiram a agenda", continuou Carvalho.

Respeito.

Segundo o diretor, um dos ganhos que podem ser observados é o respeito que os artistas ganharam. "Eles são vistos. E essa aproximação com o público é interessante. Você vê as crianças interagindo, as pessoas aplaudindo. É a quebra de uma barreira ao mesmo tempo em que há uma valorização dessa arte", disse.

"Há ainda um processo de profissionalização desses artistas, não só pela troca de experiência, mas também com a abertura de MEI (Microempreendedor Individual)".

Avaliação.

Nill Malabares, da companhia Circo Arte, é um dos oito malabaristas que fazem parte do edital da FCCR. Segundo ele, ainda que a arte na rua seja uma bandeira, não há o que reclamar sobre o projeto.

"Eu aprendi tudo o que sei nas ruas e ainda defendo a arte como livre expressão. Mas apostei nesse projeto piloto. Queria ver como seria, e tem sido uma experiência interessante", afirmou.

Perguntado se as atividades do edital são mais rentáveis do que os trabalhos nas ruas, Nill comentou que "não está sendo ruim". "O valor que um artista de rua ganha é variável porque depende do esforço dele. A principal diferença é que quando você é autônomo e recebe aos poucos, é preciso se organizar, juntar dinheiro. E, no caso da FCCR, recebemos de uma só vez pela atividade realizada. Eu particularmente prefiro", comentou.

OVALE apurou que poucos malabaristas sabiam ao certo quanto recebiam com seu trabalho nas ruas de São José. Outros afirmaram garantir ao menos um salário mínimo..

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