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Dezembro 22, 2017 - 23:56

De repente Noel: funcionários de empresa de ônibus recebem missão do Bom Velhinho

Motoristas papai noel!

Motoristas papai noel!

Foto: Rogério Marques/OVALE

Paula Maria [email protected]

Ser Papai Noel não é tarefa fácil. Coordenar a equipe de elfos - funcionários da fábrica de presentes -, cuidar das renas e ainda manter as pessoas imbuídas do espírito natalino não é para qualquer um. Mas, nesse ano parece que a coisa degringolou.

A crise, a dificuldade das pessoas em honrar suas dívidas, o medo da violência, a descrença na honestidade alheia... O "bom velhinho" logo viu: recuperar a fé da turma demandaria uma ação de "marketing de guerrilha".

Botou a cabeça para funcionar. A turma dos centro comerciais, ONGs e ações de voluntariado já estavam na agenda. Todos receberiam a visita de um representante cujo contrato - sem assinaturas, mas feito de coração para coração - é perpétuo. Ou seja, idosos e crianças estão garantidos.

Mas o que fazer com aquele cara que acorda todos os dias cedo, vive de pagar conta e mal lhe sobra espaço na vida para um agrado aos finais de semana? Aquele que reza para domingo não acabar, teve o vizinho assaltado na última quinta-feira e aguenta muita coisa pois morre de medo de faltar pão em casa?

"Se a montanha não vem a Maomé...", sussurou simpática Mamãe Noel. "Eureka!", gritou o velhinho parafraseando seu amigo Arquimedes. "Você me deu uma ideia!", disse dando um beijo estalado na esposa.

desafio.

Cidade teste: São José dos Campos. "Mas por que São José?" "Ué, e por quê não?".

Não precisou buscar muito. Um dos homens escolhidos para a missão tinha contrato assinado com a firma natalina desde o ano passado: Benedito dos Santos, 55 anos, da empresa de ônibus da Expresso Maringá. Bom, depois dele, o desafio estava vencido. Bastou uma noite para convencer, por meio de um sonho, os seus colegas de profissão a fazer parte dessa empreitada.

Time completo: Roberto Pereira da Silva, 36 anos; e Marcos Antônio, 42 anos, ambos da CS Brasil; Rodrigo Elias Oliveira, 32 anos; e Juliano Aparecido Machado, 28 anos, da Saens Peña. Com exceção de Benedito, todos neste ano viraram pela primeira vez Noel.

Ônibus iluminado, todas as linhas da cidade tinham de receber a atração. Pronto.

treinamento.

A roupa esquenta, pinica, fica com cheirinho de suor... A barba falsa coça, os óculos, no começo, atrapalham. "Mas tudo isso passa e a experiência compensa, confie em mim!", acalmou Papai Noel.

Mas o velhinho, apreensivo, na dúvida, colocou um monte de bala dentro do saco vermelho de cada um dos meninos. E, no primeiro dia, se escondeu no topo da igreja Matriz, do lado da Rodoviária Velha. De posse de seu binóculo, observou atentamente.

Uma senhora ficou marcado na sua mente. Ela vinha de cabeça baixa, semblante fechado. Do lado de dentro do ônibus, seu aprendiz de Noel. Meio sem jeito, olhava para o gorro vermelho e pensava: "seja o que Deus quiser". Colocou-o na cabeça e... Se deparou com a idosa sorrindo. "Hohoho", soltou quase que espontaneamente. Então ambos - o do ônibus e o da igreja - viram que seria mais fácil do que imaginavam.

Vieram um, dois, três... Dez mil sorrisos, acenos, fotos. Todos queriam pegar o ônibus do Papai Noel. Nas ruas, motoristas buzinavam...

"Tem sido uma experiência maravilhosa. Não há como descrever. Só quem veste essa roupa aqui sabe", disse Rodrigo, enquanto os colegas concordavam com a cabeça.

"Mais do que trazer de volta o espírito natalino, essa ação deu visibilidade aos motoristas e cobradores. Eu não tomei uma fechada, não ouvi palavrões, o trânsito fluiu muito bem nesse mês. Ficamos impressionados", contou Roberto.

Fato é: viraram celebridade. "A gente leva felicidade para as pessoas. Não há nada que pague essa sensação ", afirmou Benedito emocionado. E todos mais uma vez concordaram.

Missão cumprida.

As histórias são tantas que nem caberiam nas páginas desse jornal. Mas Papai Noel tem certeza de que a missão foi cumprida. Muita gente receberá o Natal em casa em paz. Com a vontade de compartilhar o seu melhor e se divertir com seus entes queridos. Há melhor presente?

Quanto aos meninos... Aguardam, claro, a escala de trabalho da noite de Natal. Mas em casa ou no serviço uma coisa é certa: estarão de roupa vermelha, barba branca e gorro.

O contrato com Noel é feito uma vez só na vida e é para sempre. Todos querem viver a experiência novamente em 2018. Que assim seja....

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