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Janeiro 12, 2018 - 23:42

UMA ESPIRITUALIDADE DE VERDADE

Espírito. Ser ateu não é negar a existência do absoluto

Espírito. Ser ateu não é negar a existência do absoluto

Foto: /Divulgação

Renato Lôbo Psicanalista em São José dos Campos

O fato de não crer em Deus não impede nem dispensa ninguém de ter um espírito. Podemos prescindir de religião. Mas não de comunhão, fidelidade e verdade. Tampouco de amor. Tampouco de espiritualidade. O espírito é importante demais para ser abandonado aos espiritualistas. O espírito é nossa maneira de habitar o universo. Não crer em Deus não é um motivo para nos amputar dessa parte real de nossa humanidade. Não ter religião não é um motivo para renunciar à vida espiritual. Essas ideias pertencem a André Comte-Sponville, um filósofo conhecido por suas convicções materialistas. Suas ideias sobre a vida espiritual deveriam ser conhecidas pelos que defendem o direito de se ter um espírito.

Mas o que é o espírito? Algo que pensa, duvida, concebe, imagina, nega e sente? É mais. O espírito contempla. É o interior do nosso interior que se relaciona com o infinito e a eternidade. Somos seres finitos; sabemos disso pela nossa relação com o infinito. Somos efêmeros; temos certeza disso porque desejamos o absoluto. Somos relativos - quando a finitude dói, nós nos voltamos para a eternidade. Veja o amor: sempre queremos que ele seja infinito e eterno, nem que seja enquanto dure.

Ser ateu não é negar a existência do absoluto: é negar a própria transcendência. Isso se chama imanentismo: uma posição metafísica que não rejeita o espírito, mas o entende a partir de dentro da matéria. Se, realmente, tudo for imanente, o espirito também é. Se tudo for natural, a espiritualidade também é. Mas isso não veda a vida espiritual, pelo contrário, a torna possível. Se estamos no mundo, não há porque negar o mundo. Quem sabe o espírito não seja, enfim, a alma de um mundo que insiste em não ter alma? Freud falou de "sentimento oceânico" para tentar explicar em termos psicológicos o desejo de união indissolúvel com o grande todo, um pertencimento universal. Pode ser uma experiência, um estado alterado de consciência, não importa. Importa a união com o todo, importa que a unidade confira um sentimento de pertença ao mundo fragmentado, produtor de almas esquizofrênicas que entram atirando em cinemas e escolas.

Seria um bom desejo que nenhuma escuridão da floresta escondesse a luminosidade do céu, que nenhum ruído de passos ensurdecesse o apelo do coração. Que não houvesse nem egos nem separações, mas apenas a representação silenciosa do todo. Nem ilusões nem mentiras nem insatisfação nem ódio nem medo. Mas apenas alegria, paz e liberdade. Seria um bom desejo que, nesse Natal, a alma e o mundo dissessem "sim" um ao outro. Seria uma espiritualidade de verdade e da verdade. Não seria?.

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