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Economia
Janeiro 17, 2018 - 08:14

Sindicato lança manifesto contra venda da Embraer

Embraer

Embraer

Foto: Divulgação


O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos lançou nesta terça-feira uma campanha contra a venda da Embraer para a norte-americana Boieng. 

De acordo com a entidade, os sindicatos de Botucatu e Araraquara também participam da ação. Haverão assembleias nas fábricas das cidades envolvidas, e, no manifesto, a reestatização é apontada como 'essencial para preservar a soberania nacional e o emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de desnacionalização da empresa'.

Os sindicatos criticam também o uso de dinheiro público na empresa, apesar de ter sido privatizada, e pedem reestatização.

Leia a íntegra do manifesto:

MANIFESTO CONTRA A VENDA DA EMBRAER PARA A BOEING

A Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo, está sendo

objeto de negociação pela norte-americana Boeing, gigante da

indústria aeroespacial. Nascida em 1969 no interior do CTA (Centro

Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos (SP), hoje a Embraer

detém tecnologia para desenvolvimento e produção de aviões

comerciais, executivos, agrícolas e militares, além de peças

aeroespaciais, satélites e monitoramento de fronteira. É, portanto,

estratégica para o Brasil. Sua entrega, total ou parcial, representa

risco à soberania nacional.

Qualquer transação comercial que represente a transferência de

controle da Embraer será prejudicial ao país e merece a rejeição de

toda sociedade. A empresa gera 17 mil empregos diretos e 5 mil

terceirizados no Brasil, é a terceira maior exportadora do país, com

plantas em São José dos Campos (sede), Gavião Peixoto, Botucatu,

Taubaté e Sorocaba. Vendê-la seria repetir e aprofundar o erro

cometido em 1994, quando foi privatizada.

Apesar da gravidade dos fatos, nem Embraer nem Boeing esclareceu quais

são os reais termos das negociações. Entre os contratos que podem ser

assinados, nenhum é favorável ao Brasil. Afinal, uma gigante como a

Boeing não vai entrar numa transação comercial se não for para

ganhar. Já a Embraer e o Brasil só têm a perder com a entrega de

conhecimento.

O Brasil tem um importante debate pela frente. O interesse da Boeing

pela Embraer mostra que a privatização da empresa brasileira foi um

erro e que esse processo precisa ser revertido com urgência. A

reestatização é essencial para preservar a soberania nacional e o

emprego dos trabalhadores brasileiros e barrar o acelerado processo de

desnacionalização da empresa.

Mesmo continuando a receber dinheiro público após a privatização, a

Embraer adotou a política de desnacionalização por meio da

transferência de parte da produção para o exterior, como é o caso

dos jatos Legacy e Phenom para os Estados Unidos. Peças do cargueiro

militar KC-390, que custou R$ 6 bilhões aos cofres públicos, estão

sendo produzidas no exterior.

O governo não pode ceder a pressões comerciais. É preciso defender

os interesses do Brasil e do povo brasileiro, não da Boeing. O

presidente Michel Temer tem a obrigação de vetar essa negociação e

usar a ação Golden Share (ação especial que confere poder de veto ao

governo) para impedir que o Estado perca definitivamente o controle da

Embraer.

A história de fusões e construção de monopólios mostra que o

resultado dessas transações são demissões, retirada de direitos e

fechamento de fábricas. Não podemos fechar os olhos para esta

realidade.

Diante deste cenário, defendemos:

- A Embraer é nossa.

- Não à venda da Embraer para a Boeing.

- Reestatização, já! Em defesa da soberania nacional e dos empregos.

ASSINAM ESTE MANIFESTO:

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

(CSP-Conlutas)

Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu (Força Sindical)

Sindicato dos Metalúrgicos de Araraquara (CUT)

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