São José dos Campos
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Editorial
Janeiro 10, 2018 - 23:02

É UM BERÇO ESPLÊNDIDO

Cinco anos após manifestações de 2013, gigante voltou a dormir e sonho de um novo país virou pesadelo 'déjà vu'


Ogigante acordou. Com a força impactante dos slogans publicitários, a frase tornou-se um lema de um momento de reconstrução do país cinco anos atrás, quando milhões foram às ruas protestar contra as chagas que sangram, impiedosamente, o coração do brasileiro. Não foi só por R$ 0,20. Foi pela conta incalculável paga, com suor da lida diária, pelos trabalhadores de um Brasil desigual, miserável. Aos gritos, a massa tomou as cidades e cobrou ética, honestidade, justiça social e pressionou nossos políticos, tão acostumados ao fisiologismo incestuoso, canalha, nefasto e pusilânime que transformou Brasília em um paraíso da corrupção. O gigante acordou para passar essa realidade a limpo. E agora?

Em 2018, um ano determinante para o futuro do Brasil, com as eleições de outubro, quando o eleitorado terá a oportunidade valiosa de escolher os governantes e renovar a classe política, completaremos cinco anos das manifestações de 2013. Mas e o gigante, afinal, onde está?

Após a pressão imposta pelas ruas, no mês de junho de 2013, o poder sentiu-se acuado e foi obrigado a se mexer, anunciando uma agenda positiva -- como arquivar o projeto que proibiria o Ministério Público de realizar investigações, fazer da corrupção crime hediondo e proibir o voto secreto em votações para cassação do mandato de legisladores acusados de delitos.

De lá para cá, muita água passou por baixo dessa ponte. Nós, perplexos, vimos esperançosos o surgimento da Operação Lava Jato, em 2014, desnudando uma corrupção endêmica nos escalões mais altos da República. O mais absurdo e atroz esquema de desvio de recursos públicos já descoberto em todo o mundo -- o quadro era de metástase.

Em cinco anos, o país passou por eleições gerais e municipais turbinadas por caixa dois, pelo processo de impeachment, pela troca presidencial e pelo incalculável número de denúncias e mais denúncias que se acumulam no nosso cotidiano, com as malas cheias de dinheiro, as delações premiadas, as listas e listas de políticos envolvidos com propina, interessados somente em 'estancar a sangria', porque, para essa corja sustentada pelo dinheiro público, o importante é 'manter isso, viu'. Hoje, cinco anos depois, o governo perdeu qualquer pudor, a ponto de afrouxar regras de combate à corrupção e ao trabalho escravo, por exemplo. De 2013 para cá, andamos em círculos. Ou andamos para trás?

Dos políticos, não se esperava muito -- ou nada. Mas, e do gigante despertado pela voz das ruas? Infelizmente, o Brasil acordou, tirou uma selfie, postou nas redes sociais e voltou a dormir em berço esplêndido, ao som do mar (das panelas emudecidas?) e do céu profundo e nublado. Mas a quem interessa o sono do gigante? Já não é chegada a hora de acordar?.

 

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