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Editorial
Janeiro 16, 2018 - 23:58

O PAPEL DO JUDICIÁRIO

Justiça continua falha, mas últimos movimentos contra a corrupção dão esperança de dias melhores na política


Em frente às câmeras, usa-se o pronome 'vossa excelência'. Em chats e troca de mensagens, entretanto, abusa-se de apelidos como 'Gordon Gekko', 'Lucky' ou 'Lopes'. O teor das conversas, apreendidas pela Polícia Federal, comprovam as negociatas entre o empreiteiro Léo Pinheiro e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Em vez do próprio nome, aquele divulgado nas urnas, todos utilizavam alcunhas para transitarem livremente no mundo do crime.

Ontem, porém, a Promotoria deu um importante passo contra a impunidade do ex-parlamentar carioca.

O MPF (Ministério Público Federal) pediu à Justiça Federal do Distrito Federal ontem Cunha seja condenado a 386 anos de prisão, além de multa no valor de R$ 13,7 milhões pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e prevaricação, na Operação Sépsis.

Outro ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também entrou na mira do pedido assinado pelos procuradores Anselmo Cordeiro Lopes e Sara Moreira Leite, que integram a força-tarefa da Operação Greenfield.

Eles querem Alves seja condenado a 78 anos de prisão, além de multa de R$ 3,2 milhões, pelos mesmos crimes.

"Igualmente é essencial para a definição das penas de Henrique Alves e Eduardo Cunha a constatação de serem estes criminosos em série (criminal serial), fazendo da política e da vida pública um caminho para a vida delituosa. De fato, restou demonstrado no curso da ação penal que Cunha e Alves possuem personalidades voltadas para o crime, para a corrupção em seu sentido mais amplo", escreveram.

No Brasil, a Justiça continua seletiva. As penas ainda variam de acordo com os réus envolvidos. Mas ao verificarmos que dois ex-presidentes da Câmara (terceiro posto mais importante do país) e dois ex-governadores do Rio de Janeiro (Antony Garotinho e Sérgio Cabral) já foram condenados, torna-se clara a percepção que o Judiciário melhorou em relação às duas últimas décadas, quando a impunidade era regra.

A boa atuação da Justiça, aliada ao voto consciente do eleitor, em outubro deste ano, é condição primordial para a melhora do quadro político nacional. Ou teremos, outra vez, Cunhas comandando o futuro da nação..

 

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