São José dos Campos
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No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Janeiro 25, 2018 - 00:15

UM FUTURO NEBULOSO

Circo instalado em dia de julgamento não condiz com a realidade que nos aguarda: horizonte eleitoral é cinzento


Em um dos principais capítulos da Operação Lava Jato, ontem, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado, por unanimidade, pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O principal líder da esquerda, nas últimas quatro décadas, teve a pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá ampliada de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês.

O que se seguiu, após o fim do julgamento, em Porto Alegre (RS), foram reações extremadas, condizentes com o espetáculo armado por grupos favoráveis e contrários a Lula.

Quem saiu às ruas para comemorar, de verde-amarelo, deveria aguardar os atos finais dessa novela, que, ao que tudo indica, irá muito além das eleições de outubro.

A condenação de Lula não encerra o caos no Brasil. Não garante estabilidade política. Não assegura a retomada econômica da nação. O petista ainda pode recorrer. E, mesmo que saia derrotado novamente, vai ter peso eleitoral.

A ideia do PT é levar a candidatura de Lula ao limite. Se ele não conseguir em cima da hora, haverá maior potencial de transferência de voto para outro candidato da sigla. Até lá, o país viverá momentos muito nebulosos.

Se o ex-presidente disputar a eleição desafiando a Justiça e, depois, no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), perder os votos, o Brasil passará por um trauma imenso.

Outra possibilidade: se Lula for impedido de entrar na disputa, o próximo presidente certamente assumirá um país dividido. Unificar os grupos que deram as caras ontem, em Porto Alegre e nas principais capitais, será uma missão das mais complicadas.

Diante de tanta incerteza, fazer festa nas ruas para comemorar a condenação de Lula é, sobretudo, ignorar o futuro sombrio que o país tem pela frente. Um circo que não se justifica, principalmente porque a nação é comandada por Michel Temer (MDB), denunciado pelo Ministério Público por organização criminosa. Junto com o presidente da República, foram incluídos Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Sair às ruas é um ato democrático. Mas é válido lembrar que o jogo está só começando. Os próximos meses cinzentos para todos os brasileiros..

 

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