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Janeiro 11, 2018 - 23:36

Peça sobre vida de Anaïs Nin entra em cartaz no Sesc São josé

Anais )nova foto

Anais )nova foto

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

"Igualdade no gozo", defendia Anaïs Nin (1903-1977), escritora francesa cujos romances eram impregnados de conteúdo erótico, um completo escândalo para a sociedade conservadora da época.

Sua luta: a liberdade e a emancipação da mulher na vida íntima e artística. Sua vida é considerada ainda hoje referência para movimentos feministas.

Agora, parte de sua biografia, num recorte temporal entre 1932 e 1937, está retratada na peça "Anaïs Nin - À Flor da Pele", em cartaz nesse sábado (13), no Sesc São José.

Trata-se de um monólogo inspirado em diários íntimos e cartas da escritora. No palco, as confissões e aventuras que se passaram ora na Paris ameaçada pela Segunda Guerra Mundial, ora na agitada e libertina Nova Yorque.

A protagonista é vivida pela atriz Flávia Couto, mestre em artes cênicas pela USP (Universidade de São Paulo), e a direção ficou a cargo de Aline Borsari, mestranda em estudos teatrais na Universidade Sorbonne em Paris, na França, e integrante da trupe francesa Théâtre du Soleil desde 2009.

"O texto tem uma atualidade muito grande. Anaïs Nin era uma mulher incrivelmente revolucionária e falava sobre temas que até hoje são tabus, tais como aborto, independência financeira e liberdade sexual. Era uma revolução corporal que começava a ser desenhada", afirmou Aline.

A escritora, aliás, viveu histórias polêmicas e foi amante do autor norte-americano Henry Miller (1891-1980), do psicanalista Otto Rank (1884-1939) e ainda mantinha uma relação incestuosa com o pai, o compositor cubano Joaquín Nin (1879-1949).

Atrás das cortinas.

A proposta da peça partiu da Flávia. Foram dois anos de pesquisa, adaptação e produção. Entre as descobertas, a paixão da escritora pelo flamenco, cujo gestual são usados em momentos na peça.

"Seu pai era de origem catalã e a Anaïs utilizava dessa experiência com a dança para posar para fotos como bailarina", explicou a diretora. "Então passamos a usar o flamenco como uma metáfora, um elemento cênico", continuou.

Do Théâtre du Soleil, Aline trouxe para a peça o fazer teatral coletivo. "Lá todos ganhamos o mesmo salário e as funções não são fixas. Todos participam da construção do cenário e do figurino. O equipe administrativa também está na bilheteria, a direção faz a entrada do público. É a uma noção de trabalho teatral da década de 1960 e que quase se perdeu", explicou.

Ainda segundo ela, a preocupação com o teatro é completa. O público pode entrar uma hora antes do espetáculo, há uma refeição proposta que tem a ver com o tema do espetáculo. A sala de recepção se transforma a cada nova peça e todos podem acompanhar a preparação do ator.

"Não pudemos fazer isso no Brasil por uma questão de estrutura, claro. Mas todo o trabalho artesanal de produção da peça optei por manter. Assim, eu e Flávia dialogamos muito por Skype, improvisamos em cima dos objetos e do figurino para entender se ele fazia sentido dentro da nossa proposta", contou.

A peça foi finalizada em 2016. E está em cartaz desde então.

Serviço.

Sob produção do grupo Pangeia, a "À Flor da Pele" será apresentada às 20h, no auditório. O Sesc fica na av. Adhemar de Barros, 999, Jd. São Dimas. A partir de R$5..

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