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Janeiro 12, 2018 - 23:57

Escritora lança biografia de Dom Raymundo Damasceno

Dom Raymundo

Dom Raymundo

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

Gratidão, alegria e sensação de dever cumprido. Esses são os sentimentos que permeiam as palavras de Dom Raymundo Damasceno Assis quando se refere a arquidiocese de Aparecida, onde ocupou o cargo de arcebispo por 13 anos.

Quando completou 75 anos, em 2012, o cardeal enviou ao Vaticano um pedido de renuncia, conforme prevê o direito canônico. E, no ano passado, aos 80 anos, recebeu a autorização do Papa Francisco.

Por mais apaixonado que fosse pela cidade valeparaibana, Dom Raymundo guardava consigo um desejo: voltar a Brasília (DF), para onde se mudou pela primeira vez, em 1960, e coleciona passagens, incluindo o ano de 1968 - mesmo período em que foi ordenado padre, em Conselheiro Lafaiete (MG). Saiu da capital federal em 2004, para vir para as bandas de cá.

"Em Aparecida o pastor evangeliza ao mesmo tempo em que é evangelizado. É um local de devoção e piedade. E isso é maravilhoso, é o que a distingue de outras arquidioceses", afirmou Dom Raymundo, que guarda inúmeras histórias para contar nos seus 50 anos de carreira religiosa.

E são algumas dessas histórias que estarão numa trilogia biográfica que vem sendo produzida pela escritora Rita Elisa Seda, moradora de São José.

"A ideia do livro surgiu na época da minha saída de Aparecida. Acreditava que a nova etapa da minha vida seria mais calma. Ledo engano, continuo com várias atividades", riu o religioso. "Mas achei que seria interessante contar a minha trajetória com vista no jubileu de 50 anos da minha ordenação. Então convidei Rita, conhecida biógrafa, para me ajudar a contar essa história".

O religioso tem razão. Rita Elisa já é respeitada no universo literário por escrever a história de Nhá Chica, Eugênia Sereno e Franz de Castro Holzwarth, entre outros livros, e se tornou nacionalmente conhecida pela biografia de Cora Coralina - "Cora Coralina - Raízes de Aninha" (Ideias & Letra), em parceria com Clóvis Carvalho Britto -; que recentemente virou filme, em cartaz em algumas salas de cinema do país.

"Essa é a primeira vez que conto a história de alguém que está vivo, e tem sido uma experiência muito interessante. No começo eu 'quebrava a cabeça', assim como fiz com biografados anteriores, em que eu tinha de correr atrás de documentos para chegar a conclusão sobre o que de fato ocorreu num determinado momento. Agora é só perguntar!", ressaltou bem-humorada. "Mas fato é que levei três meses até quebrar esse 'engessamento' de antes".

Se depender do cardeal, a escritora está tranquila. A memória de Dom Raymundo impressiona: o cardeal é uma verdeira enciclopédia e lembra datas e detalhes de ocorridos com extrema clareza.

Registros.

Conforme começou sua pesquisa, Rita Elisa logo percebeu que não seria possível colocar tudo o que viveu Dom Damasceno em uma só obra.

"São histórias tão lindas, que não tinha como estar em um só livro. Tem a infância, a adolescência... Ele foi um dos primeiros seminaristas de Brasília; esteve em Roma; estudou no exterior...", disse ela. "E a obra traz, além da sua vida, detalhes da história do país sob o ponto de vista sociopolítico, religioso e econômico, importante na contextualização", adiantou.

O primeiro livro já está pronto e possui fotos e fatos inéditos. Ele conta, de forma cronológica, do nascimento de Dom Raymundo, em fevereiro de 1937, até a sua ordenação. A data de lançamento ainda não foi definida, mas deve ocorrer ainda neste semestre.

Nostalgia.

Como tem sido rememorar tantos fatos? "Eu me comovo. Às vezes, passa um filme na minha cabeça", disse o cardeal, que já prepara comemorações do jubileu em Conselheiro Lafaiete, Brasília e Aparecida, onde deve comemorar seu voto de fé junto de amigos, familiares, católicos e pessoas que foram importantes na sua trajetória.

Já para Rita Elisa, entrar em contato com a história do religioso lhe trouxe uma visão diferente da vida.

"A cada novo biografado me sinto mais 'pequena'. São tantos fatos bonitos, que parece que eu não sei nada sobre a vida. E Dom Raymundo é além do que eu esperava. Quando vou a Brasília, ele me busca no aeroporto. É de uma humildade, uma sensibilidade ímpar. Definitivamente, tenho muito a aprender.".

 

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