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Editorial
Fevereiro 06, 2018 - 22:14

E QUANTO DEU A CONTA?

Ao esconder gastos com viagens, Câmara de Taubaté dá exemplo de falta de transparência com o dinheiro público


Quanto deu a conta? Este é o mistério guardado a sete chaves pela Câmara de Taubaté. Enquanto os eleitores do país inteiro cobram transparência de seus representantes, em meio ao tsunami que chacoalhou a enlameada política nacional nos últimos anos, o Legislativo taubateano parece ser uma ilha da fantasia, onde os contribuintes não têm o direito de saber como os parlamentares gastam o dinheiro público -- que é pago pelo brasileiro, que trabalha em média cinco meses só para pagar os tributos.

Em setembro de 2017, o jornal ingressou com uma ação na Justiça contra a Câmara com o objetivo de conseguir o acesso aos relatórios das viagens feitas pelos vereadores (e pagas pelo povo da cidade), que contêm as notas fiscais apresentadas para ressarcir as despesas. Esses dados, que deveriam ser públicos, já tinham sido solicitados antes ao Legislativo, com base na LAI (Lei de Acesso à Informação), porém esse acesso foi negado. E qual foi a justificativa dos parlamentares?

E há muito o que explicar, afinal os parlamentares de Taubaté gastaram 780% mais do que os vereadores de São José dos Campos, por exemplo, em 2017 com viagens. Cadê a conta?

No ofício enviado à Justiça, o presidente da Casa, Diego Fonseca (PSDB), argumentou que "os comprovantes de gastos encerram o registro de uma relação mercantil entre o vereador e o comerciante, e que somente a eles diz respeito. São dados de cunho pessoal, portanto, seara em que a publicidade deve dar lugar à discrição".

Em resumo, o vereador tucano afirmou que a maneira como é gasto o dinheiro público não é da conta do taubateano -- que, diga-se de passagem, é o patrão dele e dos colegas. O parlamentar, que já coleciona uma série de trapalhadas apesar de ainda estar em seu segundo mandato, chegou a dizer que a reportagem estaria pegando no pé dos vereadores porque -- acredite, porque é sério -- a Casa, irritada com a postura crítica do jornal, teria cancelado assinaturas.

Diante do raciocínio tão provinciano de Fonseca, que é o mesmo que praticou aquela trapalhada que deixou mais de 230 vias de Taubaté sem nome, oferecemos aos vereadores a assinatura do jornal, para que possam se informar melhor sobre o papel da imprensa, transparência com o dinheiro público e os temas de interesse dos taubateanos. Afinal, a imprensa isenta, séria, crítica, plural e imparcial não tem preço. Quanto deu a conta, Fonseca?.

 

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