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Editorial
Fevereiro 13, 2018 - 21:23

OS REPIQUES EM SILÊNCIO

Paraíso do Tuiuti: Na Sapucaí, escola de samba mostra o

Paraíso do Tuiuti: Na Sapucaí, escola de samba mostra o 'vampiro' Temer.

Foto: Divulgação

Governo Temer atravessou o ritmo com um enredo cheio de Jucás e Geddeis. É um governo de uma nota só: zero


Dançando nas ruas, a multidão em festa pinta um espetáculo de cores em todo o país. No céu, pipocam rojões. E o clima de folia invade o Brasil, em uma verdadeira apoteose que, ao ritmo do samba, prometia a alegria esfuziante de quem sabe que dias melhores viriam. Carnaval? Não, a descrição acima é do término do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, aprovado pelo Congresso Nacional em 31 de agosto de 2016, que culminou com o afastamento da petista e a posse de Michel Temer (MDB) como o 37º presidente brasileiro. Houve, acredite, quem imaginasse que os graves problemas do país, como a corrupção endêmica que corroeu as gestões petistas (e as anteriores também, em um ciclo vicioso que há décadas assalta os cofres públicos), estariam com os dias contados. O que será, então, que atravessou esse samba?

De largada, Temer já sinalizou qual rumo tomaria. É só recordar como foi formada a sua comissão de frentre: 30% dos seus ministros (um terço) eram alvos de inquéritos relacionados à Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal) -- as acusações iam de corrupção até caixa dois, passando por lavagem de dinheiro, entre outras.

E olha que a lista não inclui o nome de Romero Jucá (RR), o senador do MDB flagrado por um dos delatores do Petrolão em uma conversa chocante, em que defendia um 'grande acordo nacional', com o 'Supremo, com tudo', para conseguir 'estancar a sangria' e 'delimitar' as investigações -- leia-se parar de apurar o envolvimento de centenas de políticos de dezenas de partidos com esse bilionário esquema de corrupção.

Jucá, que foi impedido de ser empossado ministro após esse áudio e que agora recentemente teve um processo contra ele prescrito no STF após 14 anos de espera por uma decisão, deu a letra. O enredo é claro.

Depois, o brasileiro foi apresentado uma espécie de ala dos baianos, sob comando de Geddel Vieira Lima, que mantinha a quantia de R$ 51 milhões dentro de casa. Em espécie. Ainda, em ritmo alucinante, tivemos o escândalo da JBS, que apontou Temer como chefe de quadrilha -- o primeiro presidente brasileiro acusado de crime durante o exercício do cargo. E outros.

Temer, que foi retratado como 'Vampiro' na Marquês da Sapucaí, pela Unidos do Tuiuti, faz o governo de uma nota só: barrar as investigações e fazer apressadamente as reformas. É por isso, só por isso, que ele é mantido lá. Todo o resto é alegoria. Só fantasia. Purpurina.

Para quem festejou acreditou no Carnaval de Temer, agora só resta um governo de quarta-feira de cinzas. E o ensurdecedor som do repique silencioso das panelas hoje emudecidas..

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