São José dos Campos
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Editorial
Fevereiro 15, 2018 - 04:42

LUZ, SOMBRA E VERDADE

Debate sobre o papel dos jornais se mostra urgente com o avanço desenfreado da onda criminosa das fake news


Em meio ao tsunami de boatos e à colossal enxurrada de fake news, que invade o nosso dia a dia com os dois pés na porta, reivindicando para si parcela considerável da timeline da nossa sociedade, o leitor é tragado violentamente por um ardiloso e criminoso redemoinho de mentira e desinformação, lançando-se na direção deste mar revolto e bravio a bordo de uma frágil embarcação que navega perigosamente à deriva. Quando a verdade vai a pique, colocando em risco valores fundamentais como a liberdade de expressão, só resta ao jornalismo o papel de farol. Sim, um farol de credibilidade, que lança sobre a escuridão a luz da isenção, da ética, do apartidarismo, da pluralidade e da defesa do interesse público, cotidianamente vilipendiado por saqueadores nas mais altas esferas do poder no Brasil.

E a missão de manter acesa a flamejante chama da verdade -- chancelando informações reais e separando-as da praga do joio semeado pela boataria de plantão, fiscalizando o poder público e pautando o debate de temas importantes para a vida do leitor -- recai, com maior peso e responsabilidade, sobre os ombros dos veiculos impressos.

Os jornais têm sem seu DNA o aprofundamento dos fatos, a análise crítica das informações e a investigação jornalística, já impressa na alma das redações em letras garrafais.

Há quem ainda perca o tempo discutindo os jornais de papel -- que já se tornaram geradores de conteúdo mutiplataformas, adaptando ao novo formato do leito --, ignorando por completo a verdadeira e urgente questão que se põe diante de nós: qual é o papel dos jornais? Discute-se a plataforma, não o conteúdo e a importância vital que ele tem.

O fenômeno das fake news é apontado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como, ipsis litteris, uma 'preocupação global'. É uma real ameaça à democracia, à liberdade de expressão. Voraz, faminto e raivoso lobo em pele de cordeiro.

Nos EUA, as notícias falsas interferiram decisivamente na eleição do republicano Donald Trump. Aqui não ficamos atrás.As 10 notícias falsas mais lidas a respeito da Lava Jato tiveram mais alcance nas redes sociais que as 10 verdadeiras. E, como a eleição se avizinha, a situação vai piorar ainda mais -- até porque as redes sociais se mostram incapazes de combater tal fenômeno com eficiência.

O cenário é preocupante e no horizonte a perspectiva é ainda mais sombria. Por isso, o jornalismo se mantém com a chama acesa, como a luz do farol que orienta velejadores neste oceano atormentado. Com sentencia o lema do jornal norte-americano 'The Washington Post', a democracia morre na escuridão. E o jornalismo é a chama do farol que não se apaga jamais..

 

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