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Editorial
Fevereiro 16, 2018 - 22:42

CARTÃO-POSTAL DO CAOS

Intervenção federal do Rio de Janeiro expõe a falência do Estado e a incapacidade de vencer a guerra contra o crime


Cristo Redentor, de braços abertos sobre a Guanabara, observa o estado de degradação absoluta que transformou o Rio de Janeiro em uma decadente zona de guerra civil. Após receber eventos mundiais nos últimos quatro anos, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, o principal cartão-postal brasileiro é apenas uma sombra triste da Cidade Maravilhosa de Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Moraes, Cartola e Noel Rosa. A folia do Carnaval, um dia chamado de o maior espetáculo de cor e fantasia em todo o planeta, é hoje acompanhada por uma série de arrastões em praias mundialmente famosas, como Ipanema, que em outros tempos era conhecida pelos versos 'olha que coisa mais linda, mais linda, mais cheia de graça, é ela menina, que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar'. A garota de Ipanema já passou, provavelmente correndo para não ser assaltada ou não encontrar uma bala perdida, e deixou uma pergunta: o Rio de Janeiro, continua lindo?

A antiga capital do Brasil está submersa em um fétido oceano de lama, mergulhada até o pescoço em um profundo e escandaloso processo de putrefação institucional, ético, moral, com ex-governadores atrás das grades, um estado completamente falido, os morros tomados pelo crime organizado do tráfico de drogas e também por milícias, e a população totalmente aterrorizada, castigada há décadas por serviços públicos de qualidade vergonhosa, e que hoje é refém da violência. Somente no Carnaval, por exemplo, foram registrados 140 tiroteios na Cidade Maravilhosa. Sim, 140!

Que tiro foi esse?

Atualmente, a tragédia provocada pela falência do Estado já é parte da paisagem carioca, ao lado, por exemplo, do Corcovado, Pão de Açúcar, Maracanã e outros pontos turísticos. E essa violência nossa de cada dia banaliza o absurdo, o inaceitável, a bala perdida que mata o bebê na barriga da mãe.

Nesta sexta-feira, o presidente Michel Temer (MDB), acusado ele mesmo de chefiar o chamado 'quadrilhão' do partido, assinou decreto determinando uma intervenção federal na segurança pública do Rio, que se mostrou incapaz de combater o crime organizado. Não há solução mágica. O Rio é hoje o que todo o resto do Brasil pode ser amanhã. Agora, o Cristo Redentor está de braços, erguidos sobre a Guanabara, em um cartão-postal desbotado do Rio 40º C, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos..

 

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