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Editorial
Fevereiro 19, 2018 - 23:03

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Nocaute na Verdade

Nocaute na Verdade

Foto: Divulgação

Novo round das fake news afeta Rocky Balboa e revela que a verdade pode beijar a lona se o problema não for sanado


Soa o gongo e começa a luta. Do lado esquerdo do ringue, vindo direto da Philadelphia e vestindo calção preto com listras amarelas, o 'Garanhão Italiano', o campeão Rocky Balboa! E do lado direito, oriundo do estado de desorientação crescente das redes sociais e do mundo cada vez mais rápido, superficial e conectado (com a internet e desconectado da verdade), travestido de verdade alternativa, está o desafiante, peso pesado na desinformação, é a fake news! E, nesta briga, o desafiante só bate abaixo da linha da cintura e o público, enganado por esse lobo em pele de cordeiro, é o primeiro a beijar a lona.

O que Rocky, um dos personagens mais icônicos do cinema e da cultura pop, tem a ver com o debate sobre notícias falsas? O herói dos ringues, que derrotou na telona adversários do quilate de Apollo Creed, Ivan Drago e James 'Clubber' Lang, teve o criador -- o ator, cineasta, roteirista e diretor Sylvester Stallone, 71 anos, -- nocauteado pelas fake news nesta segunda.

Por toda a rede e, principalmente, no ambiente das redes sociais, a informação se espalhou feito rastilho de pólvora: o ator Sylvester Stallone morreu durante a madrugada vítima de um câncer na próstata. O texto, em um tom para lá de emotivo, chegou até a fazer uma despedida para o 'campeão'. A mesma mensagem circula ainda em outros idiomas, além do português, como inglês e espanhol. Em nenhum deles, porém, há resquício, por menor que seja, de verdade.

Stallone continua vivo.

Tão vivo quanto o fenômeno trágico das fake news, já classificado com muita precisão pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma preocupação global, que consolida-se cada dia mais como ameaça à democracia e à liberdade. Casos como esse, da falsa morte de Stallone, são exemplos inofensivos do que essa máquina de mentiras é capaz.

E, neste ringue, estão as redes sociais, usadas para a propragação de boatos e de notícias falsas. Até aqui, eles têm mostrado-se incapazes de tornar seguros no ambiente virtual. O Facebook, por exemplo, restringiu o material jornalístico na sua timeline, em uma maneira de tirar o corpo fora e empurrar a sujeira para baixo do tapete. Enquanto o jornalismo mantém-se como o último bastião da informação, fica aqui a pergunta: qual será o próximo round? E a verdade, já tão castigada, escapará do [email protected]?.

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