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Editorial
Fevereiro 20, 2018 - 22:03

Brasil, que país é esse?

Brasil, que país é esse?

Brasil, que país é esse?

Foto: Divulgação

Mandados coletivos de busca e apreensão são violência, tratando todos como suspeitos. Por que não em Brasília?


Nas favelas, no Senado, sujeira para todo o lado, ninguém respeita a Constituição e todos acreditam no futuro da nação. Assim cantava o poeta Renato Russo (1960-1996), a voz de uma geração de brasileiros que ansiava pelo frágil vento da liberdade, que começava a soprar depois dos sombrios anos de chumbo da Ditadura Militar. Líder da banda Legião Urbana, de Brasília, o genial compositor questionava a plenos pulmões durante o refrão, que repetia o título da canção: que país é esse? Que país é esse?

Afinal, que país é esse?

A pergunta, lançada em 1987, no clássico disco que leva o seu nome, ainda ecoa perdida, sem resposta no Amazonas, no Araguaia, na Baixada Fluminense, no Mato Grosso, Minas Gerais... e no Nordeste, tudo em paz?

O Brasil, antes o país do futuro, hoje caminha à toda velocidade, a passos largos, por uma esburacada, obscura, perigosa, sinuosa, acidentada e criminosa estrada chamada retrocesso.

Andamos para trás.

Hoje, o brasileiro só observa o futuro pelo espelho retrovisor de uma Brasília velha, carcomida pela ferrugem que come as engrenagens de um país desgovernado. Uma Brasília que foi à oficina, fez só uma recauchutagem após a Lava Jato, e trocou apenas o motorista -- acreditando equivocadamente que todos os problemas se resumiam aos nomes escritos nas carteiras de habilitação e não a essa máquina, apodrecida após tantas décadas de vazamentos (e não é só de óleo), que consome, bebe e custa bilhões de reais.

 Michel Temer, o atual chofer dessa Brasília, jurava que, com a realização de uma ou duas reformas, o país entraria no eixo. Fato é que, depois de uma série de barbeiragens (como no caso daquela mala com aproximadamente R$ 500 mil que caiu, aparentemente, do bagageiro, caindo nas mãos de um dos aliados do presidente), o governo federal estacionou agora no Rio de Janeiro -- o estado símbolo do lamaçal que assola o país.

Em meio à intervenção na segurança pública, há um pedido sobre a mesa, manchando papéis, documentos fiéis ao descanso do patrão: o pedido por mandados coletivos de busca e apreensão na intervenção federal na segurança do Rio. Com eles, por exemplo, pode-se revistar toda uma favela, tratando a todos como suspeitos.

Questionado se a medida não é uma 'carta branca' aos militares, o ministro da Defesa, Raul Jungmann negou. "Não existe carta branca, nem carta negra, nem carta cinza", declarou. As cartas estão sobre a mesa e o jogo, infelizmente, mostra que o país está mesmo no buraco e, pior, nossos governantes estão com a mão podre, repleta de canastras para lá de sujas. "Se cabem buscas nas favelas, cabem também nos gabinetes do Congresso Nacional", disparou Deltan Dallagnol, procurador que coordena a Lava Jato.

Alguém discorda? E por que o temor de uma nova Comissão da Verdade? A miséria das favelas cariocas está, intimamente e fisiologicamente, ligada aos gabinetes. Que país é esse?

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