São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Fevereiro 22, 2018 - 22:33

TEMER, LADEIRA ABAIXO

Intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro é ato político do presidente, que quer se cacifar para as eleições


Subir a rampa do Palácio do Planalto, tendo no peito sua faixa presidencial -- aquela mesma que, depois de ter provocado enorme repercussão no Carnaval do Rio de Janeiro, desapareceu quando o 'pressionado' vampirão da Tuiuti passou pela Marquês da Sapucaí no desfile das campeãs da folia carioca. Pode parecer absurdo, porque na realidade é mesmo absurdo, mas o presidente Michel Temer (MDB) já cogita concorrer à reeleição e sonha em, como diz o início do editorial desta quinta-feira, subir a rampa em 1º de janeiro de 2019, mesmo sendo o chefe do Poder Executivo com a maior taxa de rejeição da história, tendo uma aprovação de apenas 6% dos brasileiros. Seis por cento.

Encastelado em sua residência oficial, alheio à realidade no Palácio do Jaburu -- onde chegou a ter conversas nada republicanas com o empresário Joesley Batista e introduziu a célebre frase 'tem que manter isso' nos anais da política brasileira --, Temer já está descaradamente em ritmo de campanha, como a intervenção no Rio de Janeiro deixa absolutamente cristalino.

E nos bastidores palacianos, onde bajular é um verbo conjugado em qualquer tempo verbal -- principalmente entre os ministros mais próximos do presidente, o discurso hoje é de que, em meio à total falta de opções na disputa eleitoral, principalmente após a condenação em segunda instância de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Temer tem 'tudo para ganhar'. Sim, acredite, essa é a aposta do Palácio do Planalto -- apesar da negativa oficial.

O partido, que como um lobo em pele de cordeiro trocou de nome (de PMDB para MDB) e não de práticas, assim como outras tantas siglas na indigesta sopa de letrinhas partidária, quer observar a repercussão do nome Temer no instável xadrez eleitoral. Mandato ou mandado?

Enquanto esse debate sobre o emprego de mandados de busca e apreensão coletivos dominam a pauta, o Planalto está de olho mesmo é no mandato.

A intervenção federal na segurança pública do Rio, claramente, é a principal aposta do grupo de Temer para turbinar sua hoje irrisória taxa de aprovação.

Quando Temer, que é o único presidente da história do Brasil formalmente acusado de praticar crimes -- de crimes! -- durante o exercício do mandato, acredita ser plenamente possível se reeleger e subir novamente a rampa do Palácio do Planalto, mesmo depois de tantos e tantos escândalos de corrupção, é sinal de que o Brasil está mesmo descendo ladeira abaixo.

O que esperar em outubro?.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO