São José dos Campos
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No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Março 07, 2018 - 22:57

TODO DIA É DIA DELAS

Dia 24 de fevereiro de 2018. Maria Milene da Silva, uma mãe de 39 anos, é executada a tiros dentro de sua casa, localizada na rua João Abreu Ramos, no bairro Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos.

Dia 24 de fevereiro de 2018. Maria Milene da Silva, uma mãe de 39 anos, é executada a tiros dentro de sua casa, localizada na rua João Abreu Ramos, no bairro Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos.

Foto: Arquivo pessoal

Violência contra a mulher é uma agressão à sociedade e precisa ser combatida vigorosamente por todos. Todo dia


Dia 24 de fevereiro de 2018. Maria Milene da Silva, uma mãe de 39 anos, é executada a tiros dentro de sua casa, localizada na rua João Abreu Ramos, no bairro Campo dos Alemães, na zona sul de São José dos Campos. Ela foi morta com um tiro na nuca, na frente da irmã e de uma criança de só 3 anos de idade, naquela tarde de sábado. O assassino, afirma a polícia, foi o ex-marido de Maria Milene, inconformado com o fim do relacionamento dos dois, após 20 anos de união. Ele, segundo os relatos de parentes da vítima, já a tinha agredido reiteradas vezes e por isso um boletim de ocorrência já havia sido registrado. Mulheres como Maria Milene da Silva (e tantas outras) são mortas brutalmente em nosso país. Todos os dias.

Nesta edição, publicada no dia 8 de março, OVALE publica um alarmante 'raio-x' dos feminicídios -- assassinatos de mulheres -- no estado de São Paulo, tendo como base levantamento divulgado pelo MP (Ministério Público). Em geral, essas vítimas são mortas dentro de suas próprias casas, com extrema violência (a faca, utilizada repetidas vezes, é o instrumento mais comum nessa modalidade de crime), pelos ex-companheiros, que não aceitam o término da relação.

A cada quatro minutos, em média, uma mulher é vítima de violência em São Paulo. Em 2017, a Secretaria de Segurança Pública registrou um total de 124.044 boletins de ocorrência de violência contra elas -- são homicídios, estupros, agressões, ameaças. Só no interior paulista, foram 77.010 queixas, incluindo mais de 30 mil casos de lesão corporal.

Além da reportagem especial publicada na página 3, assinada pelo repórter Danilo Alvim, e do caderno Mulher, OVALE apresenta nesta data um impactante, chocante e necessário material, em vídeo, sobre essa inadmissível e frequente violência contra as mulheres na RMVale.

Com o apoio fundamental da cúpula da Polícia Militar, conduzido pela coronel Eliane Nikoluk, a reportagem obteve acesso ao registro de ligações de emergência atendidas pelo 190, realizadas por mulheres que, lutando pela própria vida, telefonaram e pediram socorro após terem sofrido violência doméstica.

O material foi exibido para um grupo de leitores, colocando-os frente a frente com a realidade, nua e crua, da violência contra a mulher. O resultado você confere em nossas plataformas online e no flip digital. Vale a pena ver.

Hoje é Dia da Mulher. E amanhã também. E depois... e assim será ao longo de todos os dias do ano -- ou pelo menos deveria ser. E todo dia é dia de lutar para que elas conquistem cada vez mais o espaço que lhes é de direito, de maneira igualitária e justa (sem ter salários inferiores ao dos homens, tendo maior representatividade política, ocupando cargos de alto escalão, etc).

O combate à violência contra as mulheres precisa ser bandeira de toda a sociedade, porque histórias como a da Maria Milene da Silva são feridas abertas e que não cicatrizam, martelando uma única pergunta: por quê?

Afinal, lugar de mulher é onde a mulher quiser estar. Livre, segura e a salvo. Todos os dias..

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