São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Março 08, 2018 - 23:24

OS MILAGRES DA ELEIÇÃO

Em ano eleitoral, políticos operam o milagre da multiplicação de obras e antecipação do prazo de entregas de suas vitrines


Como uma flecha, o jamaicano Usain Bolt irrompeu os 100 metros rasos da pista do Campeonato Mundial de Atletismo disputado em Berlim, capital da Alemanha. Era 16 de agosto de 2009 e a marca de 9,58 segundos, alcançada naquela prova, permanece até os dias de hoje como o recorde mundial da modalidade. Os carros de Fórmula 1, que formam a elite do automobilismo mundial, disputam metro a metro o espaço nos autódromos do mundo todo a mais de 300 quilômetros por hora, em busca da bandeirada final e da champanhe no pódio. Para 2020, a Boeing planeja a criação de uma aeronave militar capaz de atingir espantosos 6.125 quilômetros por horas -- levará cerca de três horas para fazer uma viagem entre Brasil e Japão, por exemplo. Espantoso. Muito rápido, não é mesmo?

Mais velozes do que os exemplos citados no início do texto, no entanto, são nossos políticos neste 'milagroso' período eleitoral. Se ao longo do mandato as obras se arrastam, acumulando atrasos e descumprimento de prazos, nos meses que antecedem a disputa pelos votos esses governantes pisam -- e forte -- no acelerador, para entregar um pacote de realizações, de vitrines.

E a prática não é exclusiva deste ou daquele partido, trata-se de uma prática democrática, que se repete em diversas siglas desta indigesta sopa de letrinhas político-partidária. Em nossa região, por exemplo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) -- o pré-candidato tucano à Presidência -- antecipou em sete meses (são mais de 200 dias!) a data para a entrega da segunda etapa da interligação entre as represas do Jaguari e Atibainha, que conecta a bacia do rio Paraíba ao Sistema Cantareira. Inicialmente, a obra estava prevista para outubro, só que vai ser entregue neste mês -- antes de Alckmin ter que deixar o Palácio dos Bandeirantes para a disputa presidencial.

Curiosamente, outras obras -- é o caso, por exemplo, do prolongamento da Carvalho Pinto, que foi entregue em fevereiro depois de dois anos de atraso -- acabam sendo finalizadas bem pertinho das eleições. E esse fenômeno, todavia, é percebido também no combate a problemas crônicos, como na segurança. O presidente Michel Temer (MDB), que havia feito sucessivos cortes para atuar no enfrentamento à violência, de repente decidiu intervir e reforçar a segurança nos morros do Rio de Janeiro. Nos bastidores, a medida é tida como a cartada do Palácio do Planalto para tentar buscar a reeleição.

Com Lula, que lidera todas as pesquisas de intenção de voto (e em todos os cenários), já condenado em segunda instância pela Justiça Federal (e, por isso, praticamente fora da disputa presidencial), essa briga está imprevisível. Não à toa, há uma numerosa, exótica e diversificada gama de pré-candidatos.

Eles estão a postos, nas marcas, esperando o disparo do juiz para a indefinida corrida presidencial. E, independentemente do vencedor, haverá um cenário de mais dúvidas do que certezas. Certo é que não há nada melhor do que ano eleitoral para acelerar obras. Será que não dá para ter eleição todos os anos?.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO