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Editorial
Março 09, 2018 - 22:49

O 'PUXADINHO' DE ORTIZ

Silêncio da Câmara sobre o esquema de 'fura fila' habitação revela: Casa do Povo é só um 'puxadinho' do Bom Conselho


Em meio ao oba-oba típico de eventos políticos, montado para o sorteio de moradias populares em Taubaté, o prefeito Ortiz Junior (PSDB) e os vereadores da bancada governista trocam afagos, brincadeiras, abraços e elogios. O clima é de festa. Pouco depois, os políticos se revezariam na entrega das chaves para os sorteados, tudo devidamente registrado pelas lentes dos assessores, acompanhada pela já tradicional rasgação de seda, sempre presente nas cerimônias oficiais.

O evento ocorreu na quinta-feira, em meio à reportagem exclusiva de OVALE que denunciou, com um exemplar trabalho de investigação jornalística, a existência de um esquema paralelo que instituiu um 'fura fila' na fila da habitação, expulsando famílias de conjuntos habitacionais na área do Barreiro -- apesar de não ter autorização judicial -- e que colocaria para viver nos imóveis guardas e policiais militares.

O caso, de tão grave, foi comparado pela Defensoria Pública com a atuação de uma força miliciana, como ocorre em comunidades do Rio de Janeiro. São aproximadamente 80 imóveis, sim 80!, já desocupados, com a pueril e simplória justificativa de que estariam sendo usados por pessoas ligadas ao tráfico de drogas, mais precisamente à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Além da falha inicial, quando a ausência do poder público teria permitido a 'ocupação' de imóveis pelos criminosos, o esquema revela ainda uma série de falhas: como as 80 famílias foram expulsas de suas casa sem uma ordem da Justiça? Por que essa ação ocorreu à revelia do Banco do Brasil, responsável pela obra, que colocou em xeque completamente a versão de Ortiz? E como os guardas e policiais passaram à frente de mais de 1.700 famílias de Taubaté que aguardam na fila da casa própria há anos?

Como fica claro, há muitas perguntas ainda sem resposta convincente. E sabe quantas dessas questões foram feitas ao prefeito pelos vereadores, pagos com o dinheiro público para fiscalizar o Poder Executivo? Nenhuma.

Nem na tribuna, nem durante o oba-oba de quinta-feira -- quando o tema era, veja bem, justamente habitação. Por que a Câmara se cala? Vale recordar que o cadastro da lista paralela da habitação é feito no gabinete do parlamentar Boanerge dos Santos (PTB), que compõe a base aliada.

Com base nessa série de reportagens de OVALE, o Ministério Público Federal e a Promotoria Estadual estão apurando o caso. Que as investigações sejam rigorosas e lancem luz à sombra que permeia a ação de Ortiz na área do Barreiro. É só o que resta aos taubateanos, já que o Legislativo, a Casa do Povo, tornou-se apenas e tão somente um puxadinho do Palácio do Bom Conselho..

 

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