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Editorial
Março 12, 2018 - 22:43

A INVESTIGAÇÃO DO MPF

Espera-se que o Ministério Público Federal apure o caso da desocupação de casas no Barreiro com o máximo rigor


Há um muro, erguido tijolo por tijolo, que tem como a argamassa os resquícios de coronelismo político que hoje deveria ser conjugado apenas no tempo pretérito. Ele divide Taubaté, separando de um lado o município que é morada do taubateano comum, que cumpre a lei à risca, de forma ordeira e honesta; e do outro uma espécie de feudo, que é controlado pela família Ortiz já há décadas. "Se o ex-prefeito pode pagar ITR, nós também deveríamos poder, já que somos vizinhos de muro", declarou o aposentado Altacir Marioto, em entrevista concedida em 2013, ao criticar o fato de José Bernardo Ortiz, ex-chefe do Executivo e pai do atual prefeito, morar no bairro do Bonfim (em uma propriedade de 150 mil metros quadrados) e, ao contrário dos vizinhos, pagar ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) e não o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) -- ou seja, pagaria menos.

Na Taubaté dos 'mortais', a espera por atendimento médico é demorada, costuma prolongar-se muito lentamente para quem precisa marcar uma consulta ou fazer um exame. E nos casos de cirurgia, então, é ainda pior.

Também revelado por OVALE, o caso em que o ex-prefeito teve atendimento médico domiciliar prestado pelos funcionários do PSM (Pronto-Socorro), em 2013, é outro exemplo de como na outra Taubaté a realidade é outra.

Bernardo, por sinal, deixou isso bem claro em 2017, quando fez a defesa da esposa Odila Sanches, que é a secretaria de Finanças e a madrasta do prefeito Ortiz Junior (PSDB), depois que ela -- em tempo recorde -- furou a fila para receber a licença-prêmio passando na frente de pelo menos 1.308 servidores, que tinham feito esse pedido antes. "Minha esposa é melhor funcionária do que 50% desses vagabundos que tem aí dentro", disse Bernardo.

Em janeiro de 2017, por exemplo, Odila recebeu salário bruto de R$ 19,5 mil, e um salário líquido de R$ 10,4 mil. Em fevereiro, com a licença-prêmio, o bruto foi de R$ 78,3 mil, o líquido de R$ 69,1 mil. Após denúncia feita por OVALE, a medida foi suspensa.

As duas Taubaté se encontram, mais uma vez, este ano, quando a administração Ortiz, sem a autorização da Justiça, já expulsou (a socos e pontapés, com um espetáculo de UFC, inclusive) cerca de 100 famílias de conjuntos habitacionais Sérgio Lucchiari e Benedito Capelleto, localizados no Barreiro, acusando-as de ter envolvimento -- até aqui, porém, sem apresentar qualquer investigação formal ou mandado -- com o tráfico de drogas. Esses moradores, se são criminosos, foram presos na ação, prefeito?

Além da ilegalidade, já apontada pelos especialistas em Direito ouvidos pela reportagem e ainda pelo próprio Banco do Brasil, que é responsável pelos conjuntos, a gestão Ortiz ainda furou a fila da habitação, que tem mais de 1.700 famílias esperando anos e anos, pondo nas casas guardas municipais e policiais militares -- os mesmos que as desocuparam.

Que o Ministério Público investigue o caso com máximo rigor. Taubaté não pode virar a casa da Mãe Joana. E a promotoria não pode ficar em cima do muro..

 

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