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Editorial
Março 21, 2018 - 23:18

São as águas de março

Diante do futuro incerto, prestes a encarar a urna, o povo brasileiro espera que o país seja passado a limpo em 2018


É pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho, é um caco de vidro, é a vida, é o sol, é a noite, é a morte, é o laço, é o anzol, é peroba do campo, é o nó da madeira, Caingá, candeia, é o Matinta Pereira, é madeira de vento, tombo na ribanceira, é mistério profundo, é o queira ou não queira. É o vento ventado, é o fim da ladeira, é a viga, é o vão, festa da cumeeira, é a chuva chovendo, é conversa ribeira. Das águas de março, é o fim da canseira, é o pé, é o chão, é a marcha estradeira, passarinho na mão, pedra de atiradeira. É uma ave no céu, é uma ave no chão. É um regato, é uma fonte, é um pedaço de chão.

Nesta quinta-feira, Dia Mundial da Água, é o clássico 'Águas de Março' que dá -- literalmente -- o tom (à la Jobim) do editorial de OVALE, que trata da política que se desenrola neste nosso pedaço de chão chamado Brasil, castigado e surrado por tantos escândalos, com o rosto enlameado dos brasileiros -- que já se preparam para escolher seus governantes -- pintado de desesperança. Após o Brasil atingir o fundo do poço, com a classe política escavando profundamente as entranhas das mais altas esferas do poder atrás de mais 'propina ambidestra', os eleitores se deparam com o futuro incerto diante das urnas.

'É o fundo do poço, é o fim do caminho. No rosto, o desgosto, é um pouco sozinho', dizia trecho da música de Jobim.

Com o ex-presidente Lula (PT), que lidera as pesquisas, praticamente fora da briga pelo Palácio do Planalto (por ter sido condenado em segunda instância por órgão colegiado, enquadrado na lei da 'ficha suja'), a disputa está indefinida. E, com esse crescente vácuo, até mesmo o presidente Michel Temer (MDB), depois de garantir que não concorreria à reeleição, se coloca com 'provável' postulante, mesmo estando com lama (muita lama) até o pescoço e uma taxa de rejeição recorde. Na maior cara lavada.

Não à toa, esta semana ele disse que o crescimento sustentável depende do acesso à água. Seria para lavar tanta sujeira?

O nome escolhido pelo PSDB, o governador Geraldo Alckmin é outro que busca pavimentar sua chegada ao poder, mas encontra, até aqui, sérias dificuldades para decolar, aparecendo nas pesquisas atrás de Jair Bolsonaro (PSL). Será que, após deixar para trás a concorrência interna, o governador dará 'com os burros n'água', no sonho de ser presidente?

E, já falando em água, o tucano ainda viu sua principal vitrine no setor hídrico -- a interligação do rio Paraíba, da represa do Jaguari, no reservatório da RMVale, para a represa de Atibainha, no sistema Cantareira -- ser suspensa nesta quarta-feira pela Justiça, após ação da Prefeitura de Igaratá. E o que esperar do futuro?

'É o projeto da casa, é o corpo na cama. É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.' Brasília, esse já velho carro enguiçado, se prepara para trocar de motorista. E quem conduzirá o país a direção? Difícil dizer, já que muita água ainda vai passar por debaixo dessa ponte.

Espera-se, porém, que seja um divisor de águas. E que o Brasil, afinal, seja passado a limpo. .

 

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