São José dos Campos
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Editorial
Março 23, 2018 - 23:53

É UM NOVO PINHEIRINHO

Ao tratar da ocupação sem-teto entre Jacareí e São José, o poder público precisará mostrar que aprendeu com 2012


Com barracos de madeira e lona, iluminados por 'gatos' de energia, moradores sem-teto vão loteando os milhares de metros quadrados da área ocupada no Vale do Paraíba. Prometem resistir em caso de reintegração de posse, para continuar sua 'luta por moradia' -- um direito que é defendido na Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU (Organização das Nações Unidas), e que consta na Constituição Federal, ao lado de outros tantos que habitam apenas esse mundo de papel das leis brasileiras, onde a realidade e a sua real aplicação, em linhas gerais, não encontram morada. O proprietário da área invadida vai à Justiça, para pedir a reintegração de posse do terreno. O comando da Polícia Militar, por sua vez, aguarda apenas a determinação judicial para dar início à operação de 'guerra' necessária para retirar os milhares de moradores sem-teto do local. Trata-se de um Déjà vu?

Infelizmente, não. A descrição, que abre o editorial desta edição especial de final de semana, não se refere ao acampamento do Pinheirinho, localizado na zona sul de São José dos Campos, que foi palco de uma violenta desocupação em janeiro de 2012, em que policiais militares e moradores se enfrentaram, transformando a região em uma praça de guerra, batalha campal. Uma das maiores ocupações da América, o Pinheirinho abrigava mais de 7.000 pessoas e estava em expansão já desde 2004. A ação da polícia foi alvo de denúncias de abuso, que são negadas pela corporação.

A descrição que abre o editorial, porém, refere-se à invasão em curso no limite entre as cidades de Jacareí e São José, iniciada em fevereiro e que hoje conta com cerca de 2.000 pessoas -- de acordo com os sem-teto e mil na conta da PM. Em meio ao impasse nos tribunais, a polícia já estuda a operação para desocupação do terreno. Espera-se que o caso Pinheirinho não se repita.

Naquela ocasião, o poder público demorou para agir, possibilitando que o problema crescesse e o Pinheirinho se tornasse uma 'cidade'. A desocupação também mostrou-se traumática, ganhando destaque tanto no país quanto no exterior. E depois? Após cinco anos, os sem-teto do Pinheirinho receberam -- até passando na frente de gente que esperava havia mais tempo na fila, inclusive -- casas no conjunto habitacional Pinheirinho dos Palmares, hoje uma área de preocupação da segurança pública. Por isso, não vale a pena ver de novo.

A luta por um teto é justa, desde que com respeito aos direitos alheios e sem furar a fila da casa própria -- são mais de 28 mil pessoa esperando somente em São José e Jacareí. Após 2012, espera-se que o poder público tenha aprendido a lição de casa..

 

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