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Editorial
Março 22, 2018 - 23:43

Face a [email protected] nas redes

Disseminação das fake news e manipulação de dados de usuários do Facebook são uma ameaça real à democracia


Face a face, a maior rede social do mundo, com aproximadamente dois bilhões de usuários, o Facebook encara hoje a sua maior crise, batizada de 'escândalo da Cambridge Analytica', que vem na esteira da polêmica envolvendo a disseminação das fake news, as notícias falsas que se utilizam da plataforma para se espalhar como uma '[email protected] cibernética', pondo em risco a libedade de acesso à informação, além do próprio ambiente democrático. Esse escândalo, que faz a rede social perder US$ 50 bilhões do valor de mercado em dois dias, obrigou o seu fundador Mark Zuckerberg, a admitir -- em um post publicado em seu perfil no Facebook -- o erro praticado pela empresa. 'Nós cometemos erros, temos que fazer mais e precisamos avançar e fazer isso', afirmou Zuckerberg.

O escândalo foi revelado pela imprensa escrita (pelos jornais The Guardian e The New York Times) no sábado, com a denúncia de que informações de mais de 50 milhões de usuários foram usadas sem o consentimento deles pela empresa norte-americana Cambridge Analytica, com o objetivo de utilizá-las para fazer propaganda política.

A empresa teria obtido o acesso aos dados ao lançar no Facebook um aplicativo que promovia um teste psicológico na rede social -- ao participar, o usuário, sem saber, entrega as suas informações e de seus amigos para a Cambridge Analytica, que trabalhou na campanha que conduziu o republicano Donald Trump à Casa Branca, em eleição marcada pela influência das fake news e sobre a qual paira a sombra da suspeita de influência virtual de Moscou. Na Europa, a empresa trabalhou a favor do grupo que defendeu o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).

A Cambridge Analytica pertence a Robert Mercer, bilionário do mercado financeiro apoiador de causas conservadoras, e era presidida, no ano de 2014 (data em que foram obtidas as informações dos usuários do Facebook), por Steve Bannon, então principal assessor de Trump.

Com base nas informações de milhões de contas do Facebook, a empresa teria criado o sistema que permitiu predizer e influenciar as escolhas de eleitores nas urnas -- manipulando os rumos da eleição, sabotando a democracia. Como? Simples. Direcionando, de forma personalizada (principalmente para eleitores indecisos), materiais pró-Trump e contrários à adversária dele, a democrata Hillary Clinton.

O escândalo comprova a incapacidade do Facebook em assegurar a segurança dos dados de seus usuários. E mostra como o mau uso das redes sociais, seja com as fake news ou a manipulação de dados, transformou-se em ameaça real à democracia -- uma preocupação que deveria ser compartilhada por todos..

 

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