São José dos Campos
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No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Março 27, 2018 - 23:38

AINDA VAI DAR TRABALHO

Crise ceifou mais de 45 mil empregos formais na RMVale em quatro anos e a retomada se revela um processo lento


O número de postos de trabalho com carteira assinada cortados na RMVale entre os anos de 2014 e 2018, no período da crise econômica que assola o país, é superior à população de 27 dos 39 municípios da nossa região. Acredite, o número é esse mesmo. Em quatro anos, o mercado de trabalho formal do Vale do Paraíba fechou mais de 46 mil vagas de emprego -- mais do que a população somada de cidades como, por exemplo, Arapeí, Areias, Bananal, Canas, Igaratá, Jambeiro, Lagoinha, Lavrinhas e Redenção da Serra . É o que revela levantamento realizado pelo repórter Xandu Alves, publicado na página 3 desta edição, tendo como base os dados oficiais do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.

É muita, mas muita gente.

Neste período, a indústria foi a principal vítima da crise no Vale, perdendo 21,9 mil vagas -- número que hoje supera, por exemplo, os efetivos da GM, Chery, Volkswagen e Ford somados. Depois, na sequência, está a construção, que perdeu 8,4 mil vagas, seguida pelo comércio e serviços, que cortaram 7,4 mil e 6,6 mil vagas, respectivamente. Entre as cidades, a mais afetada foi São José, que acumula um déficit 22,6 mil empregos formais, com Taubaté em segundo lugar, tendo ceifado 12 mil postos de trabalho.

A gravidade da crise fica clara, cristalina, quando se analisa qual era a tendência anterior a 2014 -- a região tinha um saldo positivo de 210,5 mil novos empregos entre 2002 e 2013. De 2010 a 2013, o mercado ainda estava no 'azul' e a região teve a criação de aproximadamente 55 mil vagas.

Repare: nos últimos quatro anos (de 2014 a 2018), a RMVale registrou um saldo negativo superior a 46 mil empregos. Antes da crise, nos quatro anos anteriores (entre 2010 e 2013), o saldo era positivo, superando 50 mil empregos.

A sonhada retomada na geração de empregos, tão prometida e alardeada pelo presidente Michel Temer (MDB), que aprovou a reforma trabalhista, ainda está se mostrando tímida na região e os números mostram isso.

Em fevereiro, por exemplo, São José ficou em 360º lugar no ranking da evolução do emprego no estado -- um detalhe importante: a lista é composta pelos 370 municípios paulistas com a população superior a 10 mil habitantes. Taubaté ficou com o 298º lugar e Jacareí com o 111º.

Como fica claro, essa retomada do emprego ainda vai dar muito, mas trabalho. Espera-se, porém, que ela não tenha como preço a precarização das leis e condições de trabalho no país..

 

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