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Editorial
Abril 05, 2018 - 23:50

Por um Brasil mais igual

Primeiro operário a tornar-se presidente, Lula torna-se o primeiro ex-presidente a transformar-se em preso comum


Dia 1º de janeiro de 2003. Perante 200 mil pessoas, Luiz Inácio Lula da Silva subia a rampa do Palácio do Planalto para tornar-se o primeiro ex-operário a assumir, com 52 milhões de votos, a Presidência da República. Era a imagem de um Brasil que buscava oportunidades iguais para todos. Em seu discurso de posse, o líder petista dizia que, justamente por isso, 'não tinha o direito de errar' e combateria sem trégua a corrupção e a impunidade. Passados 15 anos, depois de uma série de escândalos políticos, como Mensalão e Petrolão, chegamos ao dia 5 de abril de 2018. Nesta data, diante de mais de 200 milhões de brasileiros, o juiz federal Sérgio Moro determinou a prisão de Lula, que já está condenado à pena de 12 anos e um mês de prisão, em segunda instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no processo do tríplex do Guarujá. A ordem, que será cumprida nesta sexta-feira, entra para a história do país -- é o primeiro ex-presidente a ser preso por crime comum. Para a Justiça, o caso mostra igualdade, que todos estão sujeitos à lei. Do presidente ao operário.

Fica claro, portanto, que nestes dois episódios históricos narrados a palavra 'igualdade' é aquele que destaca-se. Infelizmente, o país ainda é desigual, nas oportunidades e também em uma série de outros aspectos, inclusive nos palácios da Justiça. Além disso, o Brasil, tão castigado pela asquerosa e nefasta política fisiológica partidária, mostra-se uma jovem e frágil democracia de 'coração partido', com eleitores divididos por um clima de 'Fla-Flu' político que cega e prejudica o debate.

Os lados são tão diferentes?

A sopa de letrinhas partidárias, servida diariamente na mesa dos brasileiros, traz inúmeras siglas, como PT, PSDB, MDB, PP, DEM, PTB, PSC, PSB... e ainda dezenas de outras, todas citadas em listas de dinheiro de corrupção e caixa dois ao longos dos últimos anos. E este caldo tão insípido, enfiado goela abaixo do brasileiro, deixa na boca uma amarga impressão, que não satisfaz a fome de justiça que grita dentro de todos.

A crise política não se restringe a uma sigla, uma bandeira, nome ou ideologia. Muito pelo contrário. É preciso mudar o sistema. Temos uma Brasília velha, com o estofado rasgado, a lataria enferrujada e o motor fundido. Não basta só trocar o motorista, principalmente quando a maioria já cometeu as suas barbeiragens.

A Brasília foi à Lava Jato, mas a sujeira está longe de terminar.

Falando em igualdade, após ter prendido Lula, é hora do brasileiro, sem a divisão entre corruptos de estimação ou indignação seletiva, cobrar que o combate à corrupção atinja também Temers e Aécios, passe o Brasil a limpo.

E que, mais unido, o país deixe, de uma vez por toda, de ser uma terra onde são todos iguais, mas uns mais iguais que os outros..

 

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