São José dos Campos
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Editorial
Abril 09, 2018 - 23:36

FRONTEIRA DA VIOLÊNCIA

Nível de violência já ultrapassou a barreira do aceitável e tráfico é o maior vilão. E isso tem a ver com fronteiras


Fronteira. O problema da segurança pública no Vale do Paraíba, região mais violenta de São Paulo, já ultrapassou a fronteira do aceitável. E ultrapassou muito. O Vale do Paraíba está desde 2010 no topo do ranking de homicídios no estado, apesar das promessas de que seria prioridade no combate ao crime no território paulista. Nesta área, em que vidas são transformadas em números, as estatísticas oficiais do governo estadual mostram de maneira inquestionável, com a frieza que é peculiar à matemática, que a insegurança no nossa região passou a fronteira do 'aceitável'. Com uma taxa de 13,28 vítimas de assassinato por 100 mil habitantes, a região está acima do limite considerado aceitável (é de 10/100 mil) e com o dobro da taxa da capital (6,5).

De acordo com a polícia, cerca de 80% dos assassinatos praticados na RMVale têm íntima conexão com o tráfico de drogas, seja pela disputa entre quadrilhas por território ou cobrança de dívidas pelos traficantes. A média chega a uma morte a cada 24 horas.

Em reportagem especial publicada nesta edição, na página 3, a reportagem de OVALE mostra --- e com exclusividade -- o caminho que as drogas, 'combustível' da violência, percorrem até chegar até nossas cidades e abastecer 'biqueiras'. Fica claro que, na origem, o problema é de fronteira. Afinal, o entorpecente consumido na RMVale é produzido fora do país e entra no Brasil por nossas desprotegidas fronteiras -- são 15.735 quilômetros somente de fronteiras terrestres, com o acréscimo de 7.367 quilômetros de fronteiras marítimas.

Com um país de dimensões tão continentais, nossas fronteiras -- graças à falta de investimento na solução do problema -- são como verdadeiras peneiras. E não dá para tapar o sol com elas.

É como abrir as comportas das represas e depois esperar que as polícias recolham a água usando canecas. Enxugando gelo.

A crise na segurança está situada na fronteira da má gestão e da falta de vontade política..

 

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