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Editorial
Abril 23, 2018 - 22:41

O ESTADO LEVA UM BAILE

Após uma série de promessas, poder público ainda não se mostrou capaz de combater os 'fluxos' do funk com eficácia


No último volume, o som dos pancadões quebra o silêncio da noite e chama -- compulsoriamente -- para dançar o sono dos moradores em bairros do Vale do Paraíba. Nesses bailes de funk proibidões, inicialmente organizados nas ruas de bairros periféricos e hoje espalhados também por áreas nobres, a diversão é regada pelo consumo desenfreado de drogas e álcool -- inclusive por crianças e adolescentes. Neles já tivemos registros de homicídios e overdose, além de brigas. Para essa festa, o Estado não é convidado e, a menos que ocupe o espaço perdido, corre o risco de continuar dançando fora do ritmo esperado pela sociedade. Hoje, após uma série de promessas dos governos estadual e municipal, por exemplo, o combate ao 'fluxo' ainda se mostra insuficiente para combater o problema , que tem tirado o sono de tanta gente.

Na edição do último fim de semana, OVALE publicou matérias especiais a respeito da 'indústria' dos pancadões, que está migrando para chácaras e outras áreas isoladas para tentar escapar do cerco da fiscalização policial.

"Esse som dá a impressão que está dentro do quarto. Não consigo dormir em hipótese alguma. Você trabalha o dia todo e não consegue descansar", protestou Jorge Dimas, morador do bairro há mais de 20 anos.

Em São José, são cerca de 50 'marcas' de fluxo, que disputam o rentável mercado do funk proibido como revelou o reportagem publicada na edição impressa e nas plataformas digitais de OVALE e no Documento OVALE -- o programa especial em vídeo assinado pela equipe Danilo Alvim, Julia Carvalho e Vanessa Savastano, que atingiu mais de 50 mil leitores só durante o final de semana. Nova reportagem, publicada na edição de hoje, mostra que a PM está mapeando os bairros e fazendo uma classificação do risco de pancadão na área.

A classificação é utilizada para que a polícia identifique quais as prioridades no combate ao problema. Em entrevista, o capitão Wagner Lima, que comanda a 3ª companhia da PM, afirmou que os fluxos buscam se abrigar em áreas sem a presença do ordenamento público, onde a regra é não haver regras. "Eles [organizadores] procuram locais que não têm ordenamento público. Descobrem novos espaços vazios e fazem a migração do fluxo".

Segundo ele, é necessária uma mudança na lei para possibilitar o combate eficaz ao pancadão.

Até aqui, fato é que o poder público ainda está levando um baile dos fluxos. E durma-se com um barulho desses....

 

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