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Editorial
Maio 08, 2018 - 23:02

O DÉJÀ VU NA POLÍTICA

Desvio de milhões, operadores de propina, contratos com superfaturamento... casos como esse se repetem no Brasil


Déjà vu. O termo, que significa 'eu já vi' na língua francesa, refere-se à sensação de já ter vivido uma situação com a qual o indivíduo depara-se. Aquela impressão de já ter vivido aquilo antes, de ter visto a cena ou ouvido determinada frase. Mas e qual é a explicação científica para esse fenômeno tão comum? O cérebro humano, essa máquina incrível, é dotada de diferentes tipos de memória -- a curto, médio e longo prazo. Há aquela que dura somente alguns poucos minutos, enquanto outras permanecem por uma vida inteira. O déjà vu, por sua vez, é o fruto de uma falha cerebral: os fatos que estão ocorrendo naquele momento são armazenados diretamente na memória de longo ou médio prazo, passando direto pela memória imediata. Por isso há aquela sensação de que 'eu já vi' isso antes.

São desvio de bilhões de reais, operadores repassando propina para partidos políticos, contratos superfaturados com estatais brasileiras para -- sem a menor cerimônia -- esvaziar os cofres públicos e encher bolsos. Déjà vu? Não, apesar de termos visto filmes anteriores com a mesmíssima trama, trata-se da 51ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã nesta terça em São Paulo (incluindo o Vale do Paraíba), Rio de Janeiro e Espírito Santo, para investigar desvios em um contrato de cerca de US$ 825 milhões (R$ 2,7 bilhões) firmado com a Petrobras.

Chamada de Operação Déjà Vu, essa fase da investigação apura corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a área internacional da Petrobras, para a prestação de serviços de segurança, meio ambiente e saúde.

De acordo com o MPF (Ministério Público Federal), as investigações apontaram "pagamento de propina que se estendeu de 2010 até pelo menos 2012, e superou os US$ 56,5 milhões, equivalentes, atualmente, a aproximadamente R$ 200 milhões".

As vantagens estavam relacionadas ao contrato firmado em 2010 entre a Petrobras e a construtora Norberto Odebrecht. As propinas teriam sido pagas para o MDB, PT e para ex-funcionários da Petrobras.

Esses casos assim repetem-se à exaustão, dia após dia, envolvendo a infinidade de partidos que forma essa tão indigesta sopa de letrinhas empurrada goela abaixo do brasileiro há tantas décadas.

Virou rotina. A cada novo escândalo, o eleitor brasileiro tem aquela sensação de déjà vu. Infelizmente. Dólar na cueca? Milhões nas malas? Desvio bilionário? 'Eu já vi isso'. E sabe como explicar o déja vu político?

Acredite, assim como no déjà vu convencional, este é um problema de memória fraca... então lembre-se: 2018 tem eleições..

 

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