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Editorial
Maio 09, 2018 - 22:32

OCUPAÇÃO DOS ESPAÇOS

Arquimedes

Arquimedes

Foto: /Divulgação

Poder público deve ocupar as lacunas que deixou ao longo de décadas e décadas, hoje preenchidas pelo crime no Vale


Eureka! Eureka! Eureka! Assim exclamou Arquimedes, mais de 2.000 anos atrás, ao descobrir uma regra hoje tão elementar da física: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Este matemático grego, que nasceu em Siracusa no ano de 287 a.C. e atuava ainda como engenheiro, inventor e astrônomo, fez a sua descoberta mais conhecida enquanto tomava banho. O cientista estava empenhado em tentar solucionar um problema. Uma coroa havia sido feita para o rei Hierão 2º, que havia fornecido o ouro para sua fabricação. Mas, ao recebê-la, desconfiou do ferreiro, suspeitando que ele podia ter misturado prata no material para ficar com parte do ouro. Arquimedes, então, foi chamado para solucionar essa questão. Sem danificar a coroa, ele deveria determinar se o ferreiro havia ou não vendido gato por lebre. Mas como?

Ele não poderia derretê-la para encontrar seu volume e calcular a sua densidade. Então, enquanto tomava banho, o matemático percebeu que o nível da água na banheira subia quando ele entrava, percebendo que isso poderia ser usado para determinar o volume da coroa.

Resumidamente, a coroa submersa deslocaria a quantidade de água igual ao seu volume. E dividindo a massa da coroa pelo volume de água deslocada, a densidade do objeto real podia ser obtida. Essa densidade seria menor do que a do ouro se metais mais baratos e menos densos tivessem sido adicionados. E ao fazer a descoberta, que então comprovaria a trapaça do ferreiro, Arquimedes teria saído correndo nu pelas ruas gritando 'Eureka' (encontrei).

Esta lição do matemático grego ainda parece estar sendo aprendida pelo poder público. Em São José, uma força-tarefa quer levar ordenamento urbano para a área do Nova Esperança, a favela do Banhado, ali no cartão-postal da cidade. De acordo com a polícia, a área abriga um dos principais pontos de tráfico da cidade.

E qual é o conceito desta ação, que deve ser incentivada ali e em outras áreas também? É ocupar o espaço que o próprio Estado -- por décadas e décadas -- tem deixado vago, possibilitando que as lacunas sejam preenchidas pelo poder paralelo do crime organizado. O trabalho policial, de fazer a prisão, é um eterno enxugar gelo -- necessário, mas que é insuficiente para resolver o problema. Se dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, o poder público então que ocupe o dele. Eureka! Eureka! Eureka!.

 

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