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Editorial
Maio 21, 2018 - 23:26

Com o coração partido

Clima de Fla-Flu político cega eleitor brasileiro, que vira torcedor e deixa no banco o debate sobre o nosso futuro


Engolido pelo clima de Fla-Flu político, que simplifica todo e qualquer debate para a tão preguiçosa e rasa cantilena do 'nós contra eles', o Brasil, assustadoramente, transformou-se uma espécie de fio desencapado de proporções continentais. Mais uma prova de que aquele país cordial não passa de um mito, assim como o país do futuro e tantos e tantos outros. Vivemos hoje, por conta principalmente do tsunami de lama que varreu a política brasileira, um clima bélico, que parece criar uma trincheira ao redor de cada brasileiro, que tem o pino da granada na boca e o artefato nas mãos, pronto para ser detonado ao menor sinal de divergência. Afinal, quem foi que disse que pode-se pensar diferente? Daqui a pouco, pode-se dizer ironicamente, vão começar a pensar que vivemos em uma democracia. O Brasil é hoje um país de coração partido. Que deu PT. PSDB, PMDB, DEM, PP, PSB, PTC, PCdoB, SD, PTB, PR, PPS, PRB e PSD (isso só para ficar nas siglas alcançadas pela Operação Lava Jato após quatro anos). Coxinha? Mortadela?

Não. É uma sopa de letrinhas, uma sopa bem indigesta, diga-se, formada por dezenas e dezenas de siglas partidárias que por décadas assaltam, dilapidam os cofres públicos, fazendo deles seu playground -- sem, obviamente, convidar os contribuintes (aqueles que trabalham por seis meses apenas para pagar sua alta carga de impostos) para participar da festa de arromba da República.

Enquanto se digladiam ferozmente na arena em que as redes sociais (hoje redes antissociais) transformaram-se, debatendo de forma acalorada, que mais lembra um Corinthians e Palmeiras, quem foi roubou mais, ignoram fatos importantes. E um deles é a semelhança incrível, geminal, entre as práticas adotadas pelos partidos, independentemente da cor da bandeira ou ideologia. Outra coisa importante: ironicamente, no Brasil, a corrupção é ambidestra e democraticamente atinge uma infinidade de siglas.

Esse Fla-Flu político, tão estéril e pueril intelectualmente, consegue cegar um país que precisa -- de uma vez por todas -- entender que o problema não se resolverá meramente trocando um nome pelo outro ou uma sigla por outra. É um sistema. Há uma metástase na política do país.

Em 2018, ano em que o restauro da imagem de Nossa Senhora Aparecida completa 40 anos, o Santuário Nacional convidou os fiéis à reflexão sobre a necessidade do país ser restaurado, assim como a Santa, Padroeira do Brasil, que após ter sido quebrada em 200 pedaços, foi restaurada. Que o exemplo da Rainha do Brasil ilumine o país..

 

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