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Editorial
Maio 23, 2018 - 22:29

'Pane seca' em brasília

Governo Temer é como uma Brasília velha, com o motor já fundido e risco de pane seca. É hora de ir para o conserto


Faltou combustível. Há dois anos, depois do afastamento de Dilma Rousseff ter sido aprovado pelo Congresso Nacional, durante o processo do impeachment, Michel Temer (MDB)assumiu o direção de Brasília, dizendo que daria um gás novo para o país sair do lugar, após sucessivos escândalos de corrupção (de dezenas de partidos, incluindo o dele) e uma profunda crise econômica. Na prática, fazendo aqui uma analogia com um automóvel, como esses que abarrotam as filas nos postos de combustível de todo o país, o sistema político brasileiro seria uma Brasília, já desgastada, com a lataria corroída, sem freio (principalmente no que refere-se aos gastos), carburador entupido, motor fundido, estofamento furado, vazamento de bilhões e bilhões de reais em óleo, parabrisa estilhaçado, parachoque destruído e os pneus carecas de saber que é preciso passar por um conserto completo. Urgentemente.

Mas ao contrário do que pregavam Temer e os seus principais aliados, entre eles muitos daqueles que pegam uma carona nesta carcomida Brasília, a mudança na direção não representou uma correção de rumo ou a indicação de um novo caminho. O motorista que estava no carona assumiu o volante, mas a Brasília seguiu sendo aquele mesmo carro velho, com tanta sujeira, mas tanta sujeira para limpar que nem lava jato dá jeito, infelizmente.

Após dois anos de governo, dá para dizer que Temer já cometeu inúmeras barbeiragens à frente do Poder Executivo -- a ponto da Procuradoria-Geral da República ter tentado cassar a sua habilitação por duas vezes, fazendo dele o único presidente denunciado durante o exercício do mandato por crime. E, apesar de ostentar a maior taxa de rejeição da história e de ter sobrevivido graças à aditivada no Congresso, o emedebista este ano -- acredite, mesmo depois de prometer que não o faria -- cogitou dar mais uma volta na Brasília, pondo o nome à disposição para as eleições.

Passado o devaneio palaciano, a ficha já caiu e Temer desistiu e indicou o nome do ministro Henrique Meirelles para a disputa.

Faltou combustível.

Na verdade, faltou muito mais do que isso. Essa Brasília, com o tanque cheio de impostos, ainda bebe demais. A Lava Jato conseguiu melhorar a pintura, porém o problema é muito mais grave. E, como se vê, não se resolve apenas trocando o motorista.

Depois da lava jato, é hora dessa Brasília ir para o conserto. Ou vai sofrer de pane seca..

 

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